Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução

O Brasil vive diversas crises ao mesmo tempo agravadas pelo comportamento e pelas políticas do governo Bolsonaro: a sanitária com o crescimento vertiginoso do Covid-19, a econômica que já estava de mal a pior no início do ano, a ambiental com o crescimento do desmatamento da Amazônia e o estouro da barragem em Brumadinho e agora a crise política devido ao comportamento fascista do presidente e seu clã.

Enquanto isso a paciência da população também vai se esvaindo. É o que mostra a nova pesquisa feita pela XP Investimentos com o Instituto Ipespe divulgada nesta quarta-feira (20) que mostra tendência de aumento na reprovação ao governo do presidente Jair Bolsonaro e de redução na sua aprovação.

Na pesquisa do final de abril ainda não dava para ter muita certeza sobre algumas tendências, agora elas estão bem mais claras:

Alguns pontos a destacar:

✔️Apoio ao isolamento social é maciço no país. 3 em cada 4 apoiam;
✔️Avaliação negativa do Governo não para de subir. Chegou a 50%;
✔️Avaliação positiva segue caindo. Agora é de 25%;
✔️Cresceu o número de pessoas que conhece alguém infectado; e
✔️percepção ampla de que o pior ainda está por vir;
✔️somente 7% da população acredita que o isolamento é a abordagem errada, o que mostra que, apesar de barulhento, o grupo que apoia essa ideia de Bolsonaro é minúsculo.

É isso!

Bolsonaro jogou no seu próprio colo a crise sanitária e a econômica. Conforme essas duas situações vão se agravando a percepção da população sobre a incompetência do presidente vai aumentando.

Mas o presidente se mexe: como tentativa de se manter no poder, ele joga pesado para militarizar ainda mais o governo, como agora faz no Ministério da Saúde e se afunda na corrupção “vendendo” áreas importantes do governo para os deputados do Centrão de Bob Jefferson e companhia. Vai terceirizando, como sempre, a condução do país.

O ruim dessa situação é que, se Bolsonaro não não sair por renúncia, o caos vai se aprofundar em uma velocidade sem tamanho. E aí ele pode querer se aproveitar para dar o autogolpe. As oposições têm a responsabilidade de se unirem para evitar o total desastre que se avizinha, propondo e ajudando a encontrar saídas!

O texto do XP sobre a Pesquisa:

O grupo de brasileiros que considera o governo bom/ótimo oscilou de 27% na rodada concluída em 30 de abril para 25% agora, enquanto o dos que avaliam a gestão como ruim/péssima foram de 49% para 50%. No levantamento anterior, de 24 de abril, os números eram 31% e 42%, respectivamente.

Também se observa deterioração na expectativa para o restante do governo, que agora é 48% negativa e 27% positiva, ante 46% e 30% em abril.

A atuação de Bolsonaro na crise é vista como boa ou ótima por 21% e como ruim ou péssima por 58%, enquanto 19% veem como regular. No levantamento anterior, 54% viam a atuação do presidente como ruim ou péssima, 23% como ótima ou boa e 22% como regular.

A pesquisa XP/Ipespe ouviu 1.000 eleitores de todas as regiões do país, a partir de entrevistas telefônicas realizadas por operadores entre 16 e 18 de maio. A margem máxima de erro do levantamento é de 3,2 pontos percentuais para cima ou para baixo.

O movimento de deterioração é semelhante na área econômica, em que o grupo que avalia que a economia está no caminho errado saltou de 52% para 57%. Já os que veem a economia no caminho certo passaram de 32% para 28%.

De acordo com a pesquisa, 23% dos entrevistados consideram o governo Bolsonaro como o maior responsável pela situação econômica atual, ante 20% do levantamento anterior e 18% de 24 de abril. 14% culpam fatores externos, ante 13% e 15% das divulgações anteriores. Na pesquisa atual, 9% veem o governo de Michel Temer (2016-2018) como o maior responsável pela situação atual, 12% consideram o governo Dilma Rousseff (2011-2016) e 25% consideram o governo Lula (2003-2010)

Dos entrevistados, 34% afirmaram que alguém em seu domicílio já recebeu o beneficio emergencial de R$ 600 e outros 14% afirmaram que ainda vão receber o dinheiro.

Ao serem questionados sobre os impactos da crise causada pelo coronavírus, 68% responderam que o pior ainda está por vir, enquanto 22% avaliam que o pior já passou.

A percepção sobre a chance de manter o emprego nos próximos seis meses também piorou: 39% acham que ela é grande ou muito grande, ante 43% da pesquisa anterior, enquanto 54% avaliam que manter o trabalho tem uma chance pequena ou muito pequena, alta de 3 pontos percentuais ante o último levantamento.

Apoio ao isolamento

A pesquisa mostra que se mantém alto o apoio ao isolamento social como medida de enfrentamento à pandemia: 76% avaliam que é a melhor forma de se prevenir e tentar evitar o aumento da contaminação pelo coronavírus , enquanto 7% discordam. Outros 14% avaliam que ele está sendo exagerado.

Sobre o tempo de duração do isolamento social, 57% defendem que ele deve continuar até que o risco de contágio seja pequeno.

Ao serem questionados sobre o impacto da saída de Nelson Teich do cargo de ministro da Saúde na última semana, 54% avaliaram como negativo, 31% afirmaram que não terá impacto para o país, enquanto 6% viram impacto positivo e 9% não souberam ou não responderam.

A pesquisa XP/Ipespe também aponta redução na avaliação positiva da ação dos governadores para o enfrentamento à crise. 46% veem atuação como boa ou ótima, ante 53% na última pesquisa, enquanto os que acreditam que a atuação é ruim ou péssima foram de 16% para 23%, uma alta de 7 pontos percentuais.

(Publicado no Diário do Centro do Mundo em 21/05/2020)

A estratégia de Bolsonaro visa desviar a atenção das consequências nefastas de sua gestão
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