O DataFolha publicou hoje nova pesquisa sobre a avaliação do governo Bolsonaro, mostrando que neste último mês, melhorou 5 pontos a sua avaliação positiva indo de 32% para 37% os que consideram o governo bom ou ótimo e diminuiu 10 pontos a sua avaliação negativa, caindo de 44% para 34% os que consideram seu governo ruim ou péssimo. Os que consideram regular foi de 24% para 27%.

E melhorou muito mais no segmento da população de maior vulnerabilidade e que vem recebendo a ajuda emergencial e entre os trabalhadores que ganham até 3 salários mínimos. Dos 5% de melhora na avaliação positiva, 3% vem desse segmento. Hoje, 40% da população brasileira solicitou o Auxílio Emergêncial da Pandemia. Desses, 75% são desempregados, 71% são assalariados sem registro e 61% são autônomos ou profissionais liberais. Entre os que estão desempregados, caiu 9% a reprovação do governo e subiu 12% a aprovação.

Importante registrar que entre alguns segmentos como dos estudantes, mulheres (39%), negros (48%), estudantes (56%) e quem tem nível superior (47%) a avaliação negativa é muito grande.

Muita gente me perguntando como avalio essas mudanças mostradas pela pesquisa. Vamos lá!

Em primeiro lugar, fica evidente que o nível de vulnerabilidade em todos os aspectos e a fome que assola as famílias, só deixam o cidadão pensar no mais imediato e básico: comida para a família, contas para pagar, comprar remédios… A “ajuda” da Renda Básica Emergencial que o governo federal está enviando a milhões de brasileiros e embora o Projeto original tenha sido melhorado pelos deputados e senadores da Oposição, leva à uma ilusão: a permanência de Bolsonaro é também a permanência desta ajuda. Portanto, para muitos que estão recebendo, a continuidade dele é importante. Não existe por parte deste segmento da população uma análise do todo ou das consequências de Bolsonaro num segundo mandato. Fica evidente que a ajuda emergencial é a chave para se obter a simpatia de quem está recebendo.

Em segundo lugar, tem a questão da crise política. Bolsonaro provocou o caos em nosso País e tem ganhado com isso. Guardada as devidas proporções, o fascismo sempre se dá bem em cenários de caos. Apesar de ter atenuado o tom nos últimos 40 dias, continua com sua estratégia de culpar sempre alguém, forjar um grupo de “inimigos” ou “adversários”. Uma hora é o STF ou governadores e prefeitos, outra os profissionais da saúde ou os cientistas, noutras os congressistas. Isso o ajuda a se proteger sempre que diz ou faz algo questionável. Lógico que prefeitos e governadores cometeram muitos erros. É só ver o caso de São Paulo. Mas é evidente que deixou de se expor tanto, provavelmente assessorado pelo seu novo ministro, deputado e genro do Silvio Santos, com experiência em comunicação e retórica e também porque sua intenção de dar um golpe para fechar o Supremo fracassou – os militares não deram aval – e o STF e o MPF foi pra cima dos crimes em que estão envolvidos seus filhos e o amigo Fabrício Queiroz, finalmente preso e respondendo a processos.

Em terceiro lugar, Bolsonaro tem o poder da caneta para fazer nomeações e para liberar recursos. Os estados mais pobres e cidades periféricas dependem muito da ajuda federal ou governamental. Ele resolveu abandonar a falácia da “nova política” e caiu nos braços dos parlamentares do Centrão e com isso afastou temporariamente o perigo do impeachment e deu “tranquilidade” aos operadores do Mercado, amenizando uma das crises e melhorando sua avaliação entre os mais ricos.

Em quarto lugar, tem as fakenews. Em 2018, a mídia grande e a indústria de fakenews financiada através de caixa 2, de empresários como o Véio da Havan, construíram o cenário de que “o País estava em ruínas pela culpa da corrupção promovida pelo PT”. Hoje, apesar do cerco que o STF fez para identificar e desbaratar a quadrilha que toca o esquema criminoso, essa indústria de fakenews continua funcionando a favor de Bolsonaro e contra os seus adversários políticos, mesmo com a pandemia e com a ruína social e econômica. O fascismo com a figura da liderança autoritária, tem se aproveitado do caos para ganhar ainda mais espaço.

Em quinto lugar, tem a questão da Pandemia. Bolsonaro incentiva o negacionismo, uma ação política e ideológica da extrema direita liderada por Trump a partir dos EUA, que muita gente adotou no Brasil a começar pelo Bolsonaro. Ele usa de sua autoridade política para reforçar essa ação, “receitando” remédio sem eficácia, saindo sem máscara (ver foto), mesmo depois de infectado, pregado o fim das medidas de isolamento O fato de não ter sofrido nada mais sério, graças a ter um hospital e médicos só para ele, também ajuda na construção da imagem de que é “mito” e o virus uma coisa inofensiva. O que percebemos também é que com isso e com o cansaço, muitas pessoas ficaram mais à vontade para agir contra as recomendações de isolamento e cuidados com o coronavírus.

E por último, tem a questão das forças progressistas e mesmo as da Esquerda. Percebi que nossas lideranças deram uma sumida quando Bolsonaro atenuou o discurso golpista e dando espaço para Paulo Guedes continuar com sua sanha de destruição do Estado e dos direitos dos trabalhadores e promovendo o caos econômico. As forças de Direita só se aproximam para fazer oposição a Bolsonaro quando seus interesses estão ameaçados como mostra alguns colunistas da família global. A Esquerda se aprofunda na agenda eleitoral e suas consequências não têm ainda ressonância nesse momento na população, mas pena pela falta de unidade!

O povo quer sair da crise, quer comer, quer vacina, ter trabalho e o Bolsonaro tem nas mãos a temperatura da crise e a imagem de quem está fazendo o que pode pelo País, mas outros “atrapalham”. Muita água vai rolar ainda com os desdobramentos das várias crises que nosso País vive – sanitária, econômica, social, política e ambiental. Enfrentar e desmascarar essa narrativa do bolsonarismo não é fácil, mas é tarefa dos que querem fazer o País voltar a se alicerçar na Democracia e no desenvolvimento sustentável e com inclusão social de verdade.

(publicado no FaceBook do autor em 14/08/2020)

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