O clã Bolsonaro está se tornando cada dia mais difícil de carregar, gera desgastes na imagem por ser ligado à milícias assassinas.

(Foto: Adriano Machado/Reuters)

 O jogo pesado da guerra de informações e ações do clã Bolsonaro e seus asseclas, aí incluindo Moro (o ex-juiz político) a e Augusto Aras (o novo “engavetador geral da República), para confundir a opinião pública, que se seguiu à denúncia levada pelo Jornal Nacional da Globo antes de ontem, da relação mais que próxima do presidente e seus filhos com os assassinos de Marielle Franco e Anderson, não conseguiram ainda tirar Bolsonaro das cordas.

Para o governador do Rio, Witzel, o carniceiro matador de negros e pobres dos morros cariocas, que pegou carona na onda bolsonarista e foi beneficiário da indústria das fakenews para se eleger, e que agora virou inimigo do clã, ele vazou para um aliado que Jair Bolsonaro já era, já “é carta fora do baralho”. Muitos com quem troquei ideias ontem foram na mesma linha, pois para eles, a decisão da Globo de ir pra cima do Bolsonaro era o sinal de que as elites econômicas controladoras do mercado financeiro já teriam decidido descartar o miliciano.

Eu discordo em partes dessa visão. Sim: o clã Bolsonaro está se tornando cada dia mais difícil de carregar, gera desgastes na imagem por ser ligado à milícias assassinas, é um falastrão que arruma inimigo a cada hora, que acredita e alimenta suas hordas com teorias da conspiração das mais fantasiosas… É verdade! É também verdade que há brigas e disputas entre eles pelo controle e decisões do Aparelho do Estado. Mas o que são essas elites do Mercado Financeiro – Bancos, financeiras, bolsas de valores, Globo, multinacionais e investidores estrangeiros, controladores dos grandes fundos de pensão? Sim, são os que realmente dão as cartas na condução da política econômica do País e de quem Paulo Guedes é mero representante, que patrocinaram o golpe de 2016 para tirar a esquerda do poder. Mas essa gente está se lixando para a imagem do País lá fora, está se lixando com os desastres ambientais, para o aumento da pobreza e violência, não está nem aí com o futuro do povo. Seu compromisso é com o bem estar dos seus, com os ganhos imediatos de capital, com os lucros nas bolsas, com as aquisições de ações de empresas privatizadas, com os negócios do mercado financeiro. São lapidadores do patrimônio natural e material do País, não querem pagar impostos e nem pagar direitos para os trabalhadores.

Mas, já não tiveram tudo que queriam: a reforma sindical para enfraquecer o poder de negociação dos trabalhadores? A reforma trabalhista para não pagar direitos aos empregados? A reforma da previdência e congelamento de gastos governamentais em políticas sociais para diminuir os recursos orçamentários destinados ao conjunto da população principalmente os mais pobres? O fim da Lei da Partilha do Pré-Sal pra entregar à sanha das petroleiras norte-americanas? Já não aprovaram mais de 300 licenças para agrotóxicos? Já não queimaram a Amazônia o suficiente para expandir as terras para o grande agronegócio? Já não conseguiram a privatização da Embraer e da BR Distribuidora? Sim! Mas enquanto perceberam que ainda tem mais coisas para dilapidar e tirar, irão bancar esse governo que está aí. Ainda tem a privatização da Petrobras, da Eletrobrás, dos serviços de saneamento, a Lei Áurea…

E, mesmo com todo desgaste que Bolsonaro causa, ele tem outras coisas que ajudam: distrai a massa com fakenews e falas absurdas e repugnantes; tem ainda a popularidade do Sérgio Moro que virou um serviçal para proteger o clã miliciano e ameaçar com o poder de polícia os que os incomoda; tem uma base grande de bolsominions, controlados ideologicamente através de pastores, padres, superiores militares e emissoras da grande mídia, além das redes de fakenews patrocinadas por empresários, todos interessados em manter a esquerda enfraquecida e acuada nas suas ações. É só ver como o governo reagiu ontem: colocou a Polícia Federal e setores do Ministério Público para irem pra cima da Globo e até do coitado do porteiro.

Infelizmente, temos instituições paralisadas e mesmo tomadas pelo poder e interesse dos poderosos. O Congresso, com Rodrigo Maia à frente, afirmando que se o Executivo não faz sua parte, ele faz, como foi no caso da Previdência. O STF só reage quando algum interesse do seu corpo de ministros e privilégios são atacados. O Ministério Público ainda sob controle de Dallagnol e agora Augusto Aras só investiga e propõe alguma ação que lhes interessa.

A situação para os setores populares é difícil! O Golpe (e os golpistas) tinha estratégia e meios. Mas, temos que lutar. Creio que o caminho das oposições, nos Parlamentos e na Sociedade são dois: o institucional, através de denúncias e ações para exigir investigações, chamando a atenção para o crescimento do fascismo no governo e em outras instituições e procurar repercutir isso através de todos os meios possíveis. Como fez o PSOL ontem no caso das revelações sobre a proximidade dos Bolsonaros com o assassinato da Marielle e seu motorista. E o outro caminho, difícil, de organizar o povo na base, para que resista e lute por seus direitos, desde o bairro até nos sindicatos e organizações populares, de desenvolver ações de conscientização e formação política, de fortalecer as mídias alternativas… Sim, e de buscar se unir o mais possível com candidaturas e chapas para as eleições do ano que vem, oferecendo saídas alternativas e democráticas para o povo.

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