A LIDERANÇA DE LULA E A RESILIÊNCIA DO BOZO

Nos últimos dias saíram pesquisas de opinião avaliando o desempenho do governo neste momento de intensificação da crise sanitária e social e a preferência do eleitorado para candidatos à presidência a partir do fato novo da volta de Lula ao jogo político-eleitoral.

Lula, de fato, entrou como um meteoro na cena política. Além da entrevista que deu na quarta-feira, dialogando com os trabalhadores e população pobre e acenando para o setor médio e partidos do centro político, pregando união contra o genocídio patrocinado por Bolsonaro, passou a agir para intermediar a compra de vacinas Sputinik pelos governadores junto ao Fundo Soberano da Rússia e ontem em entrevista na CNN internacional cobrou dos países ricos sua responsabilidade na distribuição das vacinas para todos os países afetados e também cobrou de Joe Biden que lidere processo de democratização do acesso das vacinas para o Brasil e outros países.

Bolsonaro, como era esperado, teve aumentada a avaliação negativa e caindo na avaliação positiva dos brasileiros, no momento mais terrível da Pandemia que ceifou a vida de 280 mil brasileiros (20% do total de mortos no mundo). Esse fato foi registrado pela pesquisa do DataFolha publicada ontem e hoje: 44% consideram seu governo ruim/péssimo e 22% consideram bom/ótimo. Sua gestão é avaliada como regular por 24%. Para 56%, Bolsonaro é incapaz de liderar o País (em janeiro era 50%). Para 42% ele é avaliado como capaz (era 46%). 54% consideram ruim/péssima a condução do governo na Pandemia.

Já as pesquisas para saber qual a preferência dos brasileiros para presidente se a eleição fosse hoje, a novidade é a disparada de Lula, a manutenção de Bolsonaro na faixa dos 30% e o fraco desempenho dos outros concorrentes de centro, como Moro, Dória e Ciro e suas altas rejeições.

A pergunta que muitos se fazem é como ele mantém esses índices de aprovação considerando sua gestão tenebrosa em relação à Pandemia e a deterioração da situação social e econômica dos brasileiros?

Bolsonaro tem em média 30% de aprovação e faz tudo pra manter esse percentual: entregou a política econômica para o mercado com aumentos de alimentos e combustíveis – e agora a subida os juros – apoia o agronegócio expansionista, deu isenções tributárias para pastores, decretou liberação de armas e munições para atender as milícias, distribuiu cargos e privilégios para membros do Exército, além, é claro, da manutenção de uma ainda ativa e potente rede de fake News contra seus oponentes, processada por gabinetes e robôs a alimentar seus seguidores. Essa é sua estratégia, além da retórica sempre agressiva e intimidatória, ainda mais agora que passa a ser acusado de ser genocida com mais veemência.

Para ele não faz diferença como anda a pandemia e seus milhares de mortos diários. Se algo soar diferente ele troca o ministro, mas cada um que entra piora o número de mortes e infectados.

Ele é um psicopata genocida que sempre foi assim. O pior disso é que a sociedade brasileira tem aceitado com muita passividade a ida ao matadouro dos seus familiares, amigos e ela própria.

Enquanto isso, Lula passa a crescer nas pesquisas. A da revista Fórum com a Offerwise revela que Lula praticamente dobrou suas intenções de votos no primeiro turno desde a última edição, em novembro (link abaixo). Num provável 2º turno bateria Bolsonaro por 38% x 33,8%. No 1º turno e de forma estimulada (o pesquisador apresenta os nomes para o entrevistado), Lula crava 31,2% e Bolsonaro 30,7%. Neste cenário Ciro teria 7,4% e Dória 6,4%, enquanto 24,3% apontam que nenhum. Num outro cenário com mais nomes, Bozo ficaria com 29,2%, Lula 27,1%, Moro 7,8%, Ciro com 6,2%, Dória 4,5%, Amoedo 1,8%, Boulos 1,5% e Flávio Dino com 0,2%.

Muito parecida, a pesquisa do DataPoder/Band mostrou ontem os seguintes números: num provável 2º turno Lula vence Bolsonaro por 41% a 37%. No primeiro turno Lula venceria com 34% dos votos, seguido de Bolsonaro com 30%, Moro com 6%, Ciro com 5%, Amoedo com 3%, Mandetta com 2%, brancos/nulos 10% e não sabe 3%. Nesta pesquisa chama a atenção as taxas de rejeições dos prováveis candidatos. Lula tem o melhor desempenho com 40%. Seus adversários tem os seguintes índices: Dória 65%, Moro 60%, Ciro 56-%, Huck 54% e Bolsonaro 53%.

Chama a atenção o derretimento de candidatos do chamado centro ou direita, com a entrada de Lula no circuito, como Dória, campeão de rejeição, Moro, Ciro e Luciano Huck.

Tudo indica que os que não votaram ou votaram nulo tem migrado para o lado antibolsonarista, pelos índices de rejeição ao combate à pandemia. Segundo a pesquisa do DataFolha, 54% dos brasileiros rejeitam a condução do governo na Pandemia. Bolsonaro é apontado por 43% como o principal culpado pela tragédia. Sobre o impechament, ainda não há uma maioria definida (50% são contra a e 46% a favor).

Lula é o único líder político que tem conseguido chacoalhar as estruturas da oposição e fazer Bolsonaro perder o rumo. Sua entrevista na CNN internacional, reverbera no mundo todo. No discurso e coletiva de imprensa da semana passada após conquistar sua inocência e ter suas sentenças anuladas pelo STF, bateu sem dó em Bolsonaro e seu desgoverno, apresentando um conjunto de propostas para enfrentar a crise atual em defesa do povo trabalhador e do nosso País, deixando evidente que ele é quem tem as melhores condições de pôr fim ao reinado dos neofascistas e neoliberais.

Mas só Lula não adianta. Os governadores do Nordeste deram um grande passo na compra da vacina Sputnik. Mas poucos prefeitos decretam o lockdown ou têm algum reforço de auxílio emergencial. Só a política de criar leitos não adianta, apenas fortalece o vírus. Sem vacinas, sem auxílio emergencial e sem apoio para o comércio e serviços ficarem fechados, o combate ao vírus é inócuo.

Os movimentos de oposição ao Bolsonaro tem que persistir na luta por vacinas já é em massa, auxílio emergencial de no mínimo 600 reais e apoio aos pequenos e médios empresários para que segurem suas contas e ajudem a manter empregos. E precisam continuar combatendo as fakenews e denunciando as ameaças e ações criminosas de Bolsonaro. A conscientizar a população é tarefa de todos. A luta do Fora Bolsonaro é difícil, mas mais necessária do que nunca!

https://revistaforum.com.br/noticias/pesquisa-forum-lula-dobra-em-intencao-de-votos-e-venceria-bolsonaro-se-eleicao-fosse-hoje/

https://www.band.uol.com.br/noticias/lula-e-ciro-venceriam-bolsonaro-em-um-2o-turno-aponta-pesquisa-poderdata-band-16341172/amp
[14:45, 18/03/2021] Simão Pedro Chiovetti: Alguma correção? O que acha?

LULA RECUPEROU SEUS DIREITOS POLÍTICOS, MAS DECISÃO DO FACHIM (STF) FOI PARA SALVAR MORO

O 8 de Março de 2021, Dia Internacional da Mulher, entrou para a história no Brasil. Lula recuperou seus direitos políticos na Justiça que foram injustamente tirados pelo Sistema para impedí-lo de concorrer e certamente vencer as eleições de 2018. Para as mulheres com quem conversei ontem, a começar pela Vilma, minha companheira, foi o maior “presente” que elas ganharam neste dia!

Depois da euforia e celebrações por conta desta decisão surpreendente, do ministro Edson Fachim, do STF, relator dos processos da Lava Jato, de anular todos os processos e consequentes decisões do ex-juiz Sérgio Moro da 13º vara Federal de Curitiba, em relação a acusações contra o presidente Lula, é hora de refletir sobre os acontecidos. A decisão de Fachim devolve todos os direitos políticos cassados injustamente de Lula, permitindo que ele volte a gozar de plena cidadania e disputar eleições. Lula é restituído ao tabuleiro político do País!

Mas, como bem frisou a nota emitida hoje pelo advogado Cristiano Zanin, coordenador da defesa de Lula, a decisão de Fachim “não tem o condão de reparar os danos irremediáveis causados pelo ex-juiz Sérgio Moro e pelos procuradores da “Lava Jato” ao presidente Lula, ao sistema de Justiça e ao Estado Democrático de Direito”.

Foi realmente uma vitória do nosso querido ex-presidente e de seus advogados de defesa que, desde as primeiras acusações contra ele, alegavam que a justiça do Paraná não tinha competência para julgar Lula, que ali não era o foro adequado e que a tese do juiz natural não estava sendo respeitada porque um juiz nunca pode escolher para si quem ele quer julgar, como fez Moro. O STF finalmente aceitou hoje esse argumento da defesa de Lula. Foi uma vitória do ativistas e militantes do vitorioso e abnegado movimento Lula Livre que se formou no mundo todo!

Que Lula ia vencer essa batalha, não tínhamos mais dúvidas! Mas achávamos que o que iria anular as condenações de Lula e restituir-lhe a cidadania política era a declaração da suspeição de Sérgio Moro, sua parcialidade e interesse em condenar Lula sob qualquer pretexto para tirá-lo das eleições de 2018, prendendo-o se fosse necessário, como realmente o fez. Sua decisão de abandonar a magistratura negociando sua ida ao Ministério da Justiça do governo Bolsonaro para posteriormente ser indicado ministro do STF revelaram o escândalo e ficou claro: ele agia em causa própria e com interesses políticos. O comportamento de Moro ao desconsiderar provas da inocência de Lula, desprezar depoimentos e suas ligações com os promotores federais que faziam as acusações já demonstravam sua parcialidade. Mas, a casa da Lava Jato começou a ruir quando, há 2 anos, vieram as revelações de suas conversas com os promotores, orientando-os na obtenção de provas, cobrando ações de busca e apreensão, entre tantas outras ilegalidades, trazidas à tona através da ações de hackers que conseguiram copiar os diálogos entre Moro, Dallagnol e seus comandados em redes sociais. Os diálogos vieram a público pelo site The Intercept e por jornais como a Folha de São Paulo e O Estado de São Paulo. Mostraram o conluio de Moro e Dallagnol para intervir na política e nos destinos do País, visando um projeto de poder particular inaceitáveis em qualquer País de civilidade baseada na Democracia.

Por trás das ações de Moro, que claro, não agia sozinho, foi organizado um movimento conhecido como lawfare, que vem a ser uma estratégia de guerra contra um inimigo (no caso, o Lula), consistindo em uma série de ações judiciais de acusações de corrupção (tema que gera muita indignação no povo) com forte apoio dos meios de comunicação. No caso de Lula, a ação do “jornalismo” da Globo serviu para isso. O lawfare contra Lula foi denunciado exaustivamente por sua defesa, por juristas e por seus apoiadores.

Por tudo isso, a estratégia da defesa de Lula foi entrar com um Habeas Corpus para que o STF julgasse a parcialidade de Moro. Esse HC foi dado entrada ainda em 2018 e está pendente de julgamento até hoje. Previa-se que isso ocorreria agora no 1º semestre de 2021. A decisão do ministro Lewandowski, no início de 2021, de franquear à defesa de Lula o acesso à todas as gravações feitas pelos hackers, reforçou mais ainda, baseada em provas concretas, a convicção da parcialidade e suspeição de Moro contra Lula.

Nesta altura, Moro já tinha sido apeado do cargo de Ministro por conflito com Bolsonaro que exigia nomear o chefe da Polícia Federal no RJ visando bloquear ações de investigações contra os esquemas criminosos envolvendo seus filhos, que passam pelo esquema de apropriação indébita de salários de assessores (“rachadinhas”) até envolvimento com as milícias e assassinato da vereadora Marielle Franco. Moro foi demitido. Denunciou o presidente por interferência ilegal na Polícia Federal, mas o assunto não prosperou. Depois de um tempo no ostracismo, Moro envolve-de em novo escândalo: aceitou ficar sócio e atuar em empresa norte-americana que presta serviços para empresas em recuperação judicial, entre elas, pasmem, a Odebrecht, que quebrou por conta justamente das ações de Moro. Certamente ele está recebendo os proventos pelos servições prestados aos interesses empresariais de seus amigos do Norte. Nunca podemos esquecer que Moro, assim que saiu a primeira reportagem no The Intercept, cancelou seus compromissos no governo e viajou para os EUA sem ter nenhuma agenda lá. Na minha opinião, foi pedir e receber orientações sobre como agir a partir das revelações das suas ações ilegais. E Dallagnol meio que caiu no ostracismo, a partir da decisão do governo Bolsonaro e seu Procurador Geral da República, Dr. Aras, de pôr fim à operação Lava Jato, com a alegação declarada pelo presidente de que não existiam mais motivos para continuar porque “acabou a corrupção no governo”.

Na opinião de políticos experientes e de especialistas e juristas renomados, a decisão de Fachim é tecnicamente correta e vai ao encontro dos reclamos da maioria dos juristas e advogados, como declarou advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakai e o jurista Pedro Serrano. Mas, por trás dela pode existir a intenção de Fachim de proteger o ex-juiz Sérgio Moro e a operação “lava jato”, da qual é defensor, de açõe contra suas ações ilegais e mesmo criminosas. A remessa de todos os processos anulados da Vara de Curitiba envolvendo Lula para uma Vara de Brasília, cujo juiz decidirá sobre o aproveitamento de seus conteúdos, uma espécie de volta à estaca zero, que praticamente deixa Lula livre dos mesmos, por causa dos tempos de prescrição, como afirmou o jurista aposentado Dr. Afrânio Silva Jardim (UERJ) no site 247, mas deixa também Moro livre da acusação de parcialidade nos julgamentos de Lula e das consequências jurídicas daí. Fachim teria se antecipado para tornar desnecessária uma decisão do STF contra Moro, já sabendo ser inevitável a vitória de Lula. Na opinião de Kakai e de Serrano, que deu entrevista para o portal Ópera Mundi, isso terá que ser enfrentado a partir de agora. E, pelo que vimos da nota da defesa do presidente Lula, essa será a próxima luta! Moro e Dallagnol não podem ficar impunes!

PAÍS BATE DE RECORDES DIÁRIOS DE MORTES POR COVID-19. ENQUANTO ISSO, BOLSONARO SE DIVERTE COM A SITUAÇÃO

Um primo meu, o Nenê, que vive lá no Paraná, me manda um áudio analisando que Bolsonaro, “que quer ser um novo Hitler”, age de propósito usando a Pandemia para acelerar as mortes de idosos e aposentados e assim desonerar o País de gastos com os mesmos. Ele acha que Bolsonaro quer provocar uma guerra contra a sociedade e para isso libera a compra de armas e munições.

Difícil argumentar contra essa análise, pois o que vimos dias atrás, enquanto a pandemia crescia, para desespero dos prefeitos, secretários de saúde e familiares dos infectados e mortos, foi o presidente, no Carnaval, se divertindo nas praias de Santa Catarina e incentivando as pessoas a não participarem das medidas como usar máscaras, ficar em casa e evitar aglomerações, logo depois de assinar os famigerados decretos que ampliam a possibilidade das pessoas comprarem mais armas e munições. Ele resolveu pegar folga nestes dias, ria e se divertia, como quem não está nem aí para nada.

Bolsonaro é caso perdido. Não adianta a gente escrever sobre suas atitudes insanas e irresponsáveis. Ele é isso daí: um sociopata e genocida. Sociopata é um termo usado para descrever alguém que tem transtorno de personalidade anti-social. Pessoas com este transtorno, também chamado de sociopatia, não possuem empatia. Ele não conseguem entender os sentimentos das outras pessoas. E para configurar genocídio, é preciso haver intenção de destruir um grupo ou parte dele e alguns especialistas argumentam que a falta de ação de um governo para proteger parte da população também seria um ato criminoso. Negligência na condução das providências sérias que poderiam ser tomadas pelo governo, pouco caso e deboche contra medidas de isolamento, falta de vacinas, incentivo à uso de medicamentos sem eficácia… A lista é enorme.

Ontem à noite os noticiários davam que morreram 1.580 brasileiros nas últimas 24 horas. Minhas irmãs, que moram em Rondônia, me enviaram um vídeo onde o secretário estadual de saúde faz um apelo dramático para que os jovens, principalmente, respeitem as restrições e regras sanitárias, pois o sistema de saúde de lá entrou em colapso, com 100% de ocupação dos leitos hospitalares e sem mais condições de enviarem os pacientes para outros estados que também já estão na mesma situação. Ele alega que a cepa brasileira não ataca mortalmente só os mais idosos ou com saúde frágil, mas também os mais jovens e ela se propaga mais facilmente. Hoje, Miguel Nicolelis, o maior neurocientista brasileiro, deu entrevista (publicada hoje no O Globo) afirmando que sem um lockdown – proibição das pessoas saírem de casa – por alguns dias, o Brasil vai explodir. Mas, muitos governos resistem a tomar tais decisões para não afetar o comércio e a economia. É até compreensível esta preocupação, mas, diante das vidas que estão e serão ceifadas, é uma medida necessária, que requer coragem, como tem feito Edinho Silva, o prefeito petista de Araraquara, interior de São Paulo.

Bolsonaro já deveria ter sido impichado ou interditado. Motivos, como já listei acima, não faltam. Quem o mantém lá já é sócio, junto com ele, dessa tragédia que está fugindo do controle. E terão que responder por isso! Falo dos parlamentares do Congresso, que tem a prerrogativa de tomar a iniciativa de um processo de impeachment e não o fazem, mas também daqueles setores empresariais que se aproveitam para saquear os recursos naturais em busca de aumentar lucros imediatos (desmatadores e mineradoras, por exemplo), para adquirir as empresas estatais com as famigeradas privatizações, que especulam nas bolsas, dos que buscam lucro fácil e imediato com as ações do governo (indústria de armas, entre outros), dos falsos pastores-empresários das “igrejas” neopentecostais que oferecem seus serviços de manterem seus fiéis alienados em troca de isenções, de mais licenças de rádio e TV e verbas de publicidade para elas e dos dirigentes das corporações e estamentos do Estado (Forças Armadas, Judiciário, parlamento), com o aumento das benesses orçamentárias. Bolsonaro é usado por eles e os usa também para seus projetos e de sua familícia. Uma união de neoliberais e neofascistas. Enquanto isso a Nação derrete, a população paga um preço alto, com aumento da pobreza e do desemprego e com as centenas de milhares de vidas ceifadas, mesmo que alguns setores não o percebam ou não associam isso com as decisões e omissões do governo.

Mas, nós da Esquerda, das oposições sérias, dos setores populares organizados, os artista, cientistas, e cidadãos comuns conscientes, não podemos desanimar diante das adversidades da conjuntura e da correlação de forças a nós desfavoráveis no momento. Nós já sabiamos que com Bolsonaro e a extrema-direita no governo, iríamos ter um período de trevas. Só não prevíamos a Pandemia e como ela seria usada para acelerar e acobertar o processo de destruição nacional. Com união e persistência, vamos fazer contiuar a fazer a resistência ativa. Temos a nosso favor os exemplos da história que derrotou os fascitas e nazistas e agora, mais recentemente, os exemplos dos povos da Argentina, Chile, Bolívia, EUA, Equador que, por meios da Democracia, constroem outros caminhos!

(Também publicado nas páginas do facebook do autor: @SimaoPedroChiovetti.SP e @simaopedrochiovetti

auxílio Emergencial faz avaliação de Bolsonaro melhorar, mostra DataFolha

O DataFolha publicou hoje nova pesquisa sobre a avaliação do governo Bolsonaro, mostrando que neste último mês, melhorou 5 pontos a sua avaliação positiva indo de 32% para 37% os que consideram o governo bom ou ótimo e diminuiu 10 pontos a sua avaliação negativa, caindo de 44% para 34% os que consideram seu governo ruim ou péssimo. Os que consideram regular foi de 24% para 27%.

E melhorou muito mais no segmento da população de maior vulnerabilidade e que vem recebendo a ajuda emergencial e entre os trabalhadores que ganham até 3 salários mínimos. Dos 5% de melhora na avaliação positiva, 3% vem desse segmento. Hoje, 40% da população brasileira solicitou o Auxílio Emergêncial da Pandemia. Desses, 75% são desempregados, 71% são assalariados sem registro e 61% são autônomos ou profissionais liberais. Entre os que estão desempregados, caiu 9% a reprovação do governo e subiu 12% a aprovação.

Importante registrar que entre alguns segmentos como dos estudantes, mulheres (39%), negros (48%), estudantes (56%) e quem tem nível superior (47%) a avaliação negativa é muito grande.

Muita gente me perguntando como avalio essas mudanças mostradas pela pesquisa. Vamos lá!

Em primeiro lugar, fica evidente que o nível de vulnerabilidade em todos os aspectos e a fome que assola as famílias, só deixam o cidadão pensar no mais imediato e básico: comida para a família, contas para pagar, comprar remédios… A “ajuda” da Renda Básica Emergencial que o governo federal está enviando a milhões de brasileiros e embora o Projeto original tenha sido melhorado pelos deputados e senadores da Oposição, leva à uma ilusão: a permanência de Bolsonaro é também a permanência desta ajuda. Portanto, para muitos que estão recebendo, a continuidade dele é importante. Não existe por parte deste segmento da população uma análise do todo ou das consequências de Bolsonaro num segundo mandato. Fica evidente que a ajuda emergencial é a chave para se obter a simpatia de quem está recebendo.

Em segundo lugar, tem a questão da crise política. Bolsonaro provocou o caos em nosso País e tem ganhado com isso. Guardada as devidas proporções, o fascismo sempre se dá bem em cenários de caos. Apesar de ter atenuado o tom nos últimos 40 dias, continua com sua estratégia de culpar sempre alguém, forjar um grupo de “inimigos” ou “adversários”. Uma hora é o STF ou governadores e prefeitos, outra os profissionais da saúde ou os cientistas, noutras os congressistas. Isso o ajuda a se proteger sempre que diz ou faz algo questionável. Lógico que prefeitos e governadores cometeram muitos erros. É só ver o caso de São Paulo. Mas é evidente que deixou de se expor tanto, provavelmente assessorado pelo seu novo ministro, deputado e genro do Silvio Santos, com experiência em comunicação e retórica e também porque sua intenção de dar um golpe para fechar o Supremo fracassou – os militares não deram aval – e o STF e o MPF foi pra cima dos crimes em que estão envolvidos seus filhos e o amigo Fabrício Queiroz, finalmente preso e respondendo a processos.

Em terceiro lugar, Bolsonaro tem o poder da caneta para fazer nomeações e para liberar recursos. Os estados mais pobres e cidades periféricas dependem muito da ajuda federal ou governamental. Ele resolveu abandonar a falácia da “nova política” e caiu nos braços dos parlamentares do Centrão e com isso afastou temporariamente o perigo do impeachment e deu “tranquilidade” aos operadores do Mercado, amenizando uma das crises e melhorando sua avaliação entre os mais ricos.

Em quarto lugar, tem as fakenews. Em 2018, a mídia grande e a indústria de fakenews financiada através de caixa 2, de empresários como o Véio da Havan, construíram o cenário de que “o País estava em ruínas pela culpa da corrupção promovida pelo PT”. Hoje, apesar do cerco que o STF fez para identificar e desbaratar a quadrilha que toca o esquema criminoso, essa indústria de fakenews continua funcionando a favor de Bolsonaro e contra os seus adversários políticos, mesmo com a pandemia e com a ruína social e econômica. O fascismo com a figura da liderança autoritária, tem se aproveitado do caos para ganhar ainda mais espaço.

Em quinto lugar, tem a questão da Pandemia. Bolsonaro incentiva o negacionismo, uma ação política e ideológica da extrema direita liderada por Trump a partir dos EUA, que muita gente adotou no Brasil a começar pelo Bolsonaro. Ele usa de sua autoridade política para reforçar essa ação, “receitando” remédio sem eficácia, saindo sem máscara (ver foto), mesmo depois de infectado, pregado o fim das medidas de isolamento O fato de não ter sofrido nada mais sério, graças a ter um hospital e médicos só para ele, também ajuda na construção da imagem de que é “mito” e o virus uma coisa inofensiva. O que percebemos também é que com isso e com o cansaço, muitas pessoas ficaram mais à vontade para agir contra as recomendações de isolamento e cuidados com o coronavírus.

E por último, tem a questão das forças progressistas e mesmo as da Esquerda. Percebi que nossas lideranças deram uma sumida quando Bolsonaro atenuou o discurso golpista e dando espaço para Paulo Guedes continuar com sua sanha de destruição do Estado e dos direitos dos trabalhadores e promovendo o caos econômico. As forças de Direita só se aproximam para fazer oposição a Bolsonaro quando seus interesses estão ameaçados como mostra alguns colunistas da família global. A Esquerda se aprofunda na agenda eleitoral e suas consequências não têm ainda ressonância nesse momento na população, mas pena pela falta de unidade!

O povo quer sair da crise, quer comer, quer vacina, ter trabalho e o Bolsonaro tem nas mãos a temperatura da crise e a imagem de quem está fazendo o que pode pelo País, mas outros “atrapalham”. Muita água vai rolar ainda com os desdobramentos das várias crises que nosso País vive – sanitária, econômica, social, política e ambiental. Enfrentar e desmascarar essa narrativa do bolsonarismo não é fácil, mas é tarefa dos que querem fazer o País voltar a se alicerçar na Democracia e no desenvolvimento sustentável e com inclusão social de verdade.

(publicado no FaceBook do autor em 14/08/2020)

GESTÃO COVAS SÓ FALA EM “ENXUGAR GASTOS” E NÃO NA BOA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS

Fiquei perplexo com a decisão da Câmara Municipal, no meio da Pandemia – quando só se deveria votar projetos emergenciais de proteção e apoio à população – de aprovar o Projeto de Lei do prefeito tucano Bruno Covas (PSDB) que extingue autarquias como a Hospitalar que cuida da gestão dos hospitais, a da Limpeza Pública, o Ilume que cuida da iluminação pública e a do Serviço Funerário Municipal cuja gestão será concedida à iniciativa privada entre outras.
Não sou contra extinguir alguns penduricalhos como as entidades que mais servem para comer dinheiro público com altos salários, mas elas são poucas. O que sou contra é extinguir a AMLUrb, o Ilume, o Serviço Funerário, a Autarquia Hospitalar e abrigá-las todas numa Agência Regulatória dos serviços concedidos com poucos funcionários. É tudo que as empresas particulares concessionárias querem: pouca estrutura para fiscalizar e acompanhar a prestação dos serviços.
Os serviços são complexos, as quantidades são enormes e os valores orçamentários pagos são gigantes. Por exemplo: a AMLUrb que faz a gestão e a fiscalização dos contratos de coleta e varrição e limpeza com mais de 15 mil funcionários contratados e 20 mil toneladas de resíduos diários a serem manejados corretamente. Nós já temos uma estrutura que precisaria ser reforçada e não diminuída. O caso do Serviço Funerário com os 22 cemitérios muncipais, as 15 agências e 1 crematório que é monopólio muncipal e vai ser fatiado em diversas empresas particulares: como vai ser fiscalizado? E a concessão da Iluminação Pública com o maior parque de iluminação do mundo e um orçamento anual de R$ 500 milhões, quem acompanhará? No projeto de concessão (a PPP) que idealizamos na gestão Haddad e agora está sendo implementado, transformaríamos o Ilume numa agência forte para acompanhar de perto a qualidade almejada para os serviços.
Tenho duas impressões desse Projeto que agora virou a Lei: ao constatar que a vaca tinha carrapato e para matar o carrapato decidiram eliminar a vaca. os serviços vão ficar à mercê das empresas privadas e a qualidade dos mesmos corre risco.
O foco está errado: o que a cidade quer é um bom serviço prestado, com qualidade e regularidade e com contratos justos. No projeto do governo tucano o foco está na economia de recursos com a gestão e arriscando deixar a qualidade em segundo plano.
Impressionante que a sociedade paulistana não foi escutada nesse assunto: pelo menos eu não soube de nenhuma iniciativa nesse sentido. Espero que o Prefeito Covas coloque a mão na consciência e reveja pontos importantes como o número de servidores na nova agência para acompanhar e fiscalizar, pois o que está proposto (cerca de 500) é temerário para o interesse público!

MANEJO E DESTINAÇÃO CORRETA DOS RESÍDUOS: UM LONGO CAMINHO A PERCORRER

A Lei Nacional de Resíduos Sólidos (12.305/2010), uma das mais modernas do Mundo, completa em 02 de agosto de 2020, 10 anos desde que foi sancionada pelo Presidente Lula e após 20 anos em tramitação no Congresso Nacional.
Normalmente, nestas datas comemorativas, a gente se pergunta: “Mas, e aí: a Lei pegou ou virou letra morta?” No caso da 12.305/10 ela pegou, mas encontra ainda muitas resistências e essas precisam ser enfrentadas. Como exemplo positivo, amanhã, a lutadora comunidade da Brasilândia, na Zona Noroeste da Capital vai fazendo a sua parte e iniciará mais uma cooperativa de reciclagem para gerar renda, trabalho para um grupo de trabalhadores e ajudar na preservação do seu meio ambiente.
A Lei colocou o Brasil ao lado dos principais países em termos de legislação moderna para o enfrentamento dos principais problemas ambientais, sociais e econômicos decorrentes do manejo inadequado dos resíduos sólidos.
Ela prevê instrumentos de prevenção e redução na geração dos resíduos sólidos tendo como proposta a prática de hábitos de consumo sustentáveis e instrumentos de reciclagem e compostagem. Ela estabelece metas ousadas de redução gradativa dos lixões e estabelece a Responsabilidade Compartilhada, princípio pelo qual o setor empresarial privado, o cidadão e os poderes públicos são co-responsáveis pelo manejo, deposição, coleta e limpeza em relação aos resíduos produzidos.
Na Responsabilidade Compartilhada, 1) o setor privado tem a obrigação de realizar a Logística Reversa, ou seja, recolher e levar para a reciclagem os resíduos que produz, como embalagens e materiais inservíveis ou apoiar o setor público na realização da coleta seletiva e reciclagem; 2) o setor público, principalmente as prefeituras, são responsáveis pela regulação de serviços, limpeza, coleta e destinação final dos resíduos produzidos na cidade e 3) os cidadãos e pequenas empresas têm a responsabilidade de práticas sustentáveis de separar seus resíduos, reter, fazer compostagem, descartar corretamente e nos horários estipulados etc. Porque não adotarmos a boa prática de separar os resíduos em casa ou na empresa e destinar para a reciclagem ou fazer a compostagem dos resíduos unidos com as composteiras domésticas?
Evidentemente que entre a Lei sancionada e o seu cumprimento efetivo por todos é um longo caminho a ser andado. Muitos cidadãos descartam seus resíduos fora do estabelecido e não têm atitude de gentileza para com seus visinhos e comunidade. Muitas prefeituras não têm um plano de destinação final correto e não apoiam as cooperativas de catadores e a maioria dos empresários brasileiros, principalmente os grandes, não querem e não fazem a logística reversa de seus produtos. Por exemplo, o setor de embalagens (70% dos resíduos secos, como garrafas pet, caixas de papelão etc) fazem o mínimo e se recusam a fazer a coleta seletiva, jogando isso nas costas dos orçamentos das prefeituras e indiretamente dos cidadão que pagam os impostos.
Quando fui secretário de serviços na gestão Haddad (2013-16) na Capital paulista que produz 20 mil toneladas de resíduos sólidos por dia, procuramos avançar na aplicação da Lei 12.305: decretamos o Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos com compromissos e metas discutidos com a população, implantamos centrais mecanizadas de reciclagem, páteos de compostagem para resíduos das feiras livres, incentivos à compostagem doméstica, levamos a coleta seletiva para todos os distritos, duplicamos o número de ecopontos para 101 unidades, ações de educação ambiental, um novo e moderno aterro ambiental e duas unidades de tratamento de resíduos de saúde, autorizamos novos modelos de sacolas de bioplástico no lugar das sacolas de plástico de petróleo e as transformamos em instrumentos de educação ambiental entre outras iniciativas.
Para a Lei ganhar força, precisamos da consciência de todos para efetivarmos os instrumentos dos termos de compromisso entre as prefeituras e empresas, de acordos setoriais entre setores empresariais e governo federal, utilizando toda a experiência daqueles que nos ensinaram o valor da reciclagem que são os catadores e suas organizações e cooperativas para serem contratadas e bem remuneradas pelos serviços ambientais que prestam à sociedade. Precisamos que as empresas que têm seus negócios baseados na coleta e deposição dos resíduos invistam em novas tecnologias que não só os aterros e sim na reciclagem e compostagem. Precisamos que as prefeituras e governos estaduais invistam em planos de gestão integrados e em educação ambiental e apoiem o trabalho dos catadores. Precisamos da consciência e compromisso de todos para que nosso Meio Ambiente principalmente o urbano, possa ser mais saudável gerando mais qualidade de vida aos seus cidadãos e que nosso futuro seja menos sombrio e triste!
Viva a Lei Nacional de Resíduos Sólidos!
(Publicado também no site Diário do Centro do Mundo em 01/08/2020)
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