Artigo: JOSÉ CÂNDIDO Um combatente dos Direitos Humanos. Uma vida militante

Artigo: JOSÉ CÂNDIDO Um combatente dos Direitos Humanos. Uma vida militante

Perdemos no dia 12 último o companheiro deputado José Cândido ou, como nós o chamávamos carinhosamente, o Sêo Cândido. Para nossa Bancada vai ser muito difícil preencher o vazio que sua ausência vai deixar.

Um dos poucos negros da Assembleia, José Cândido tinha a compreensão desta dimensão do seu Mandato, tanto é que coordenou com muita dedicação a Frente Parlamentar de Promoção da Igualdade Racial e Apoio aos Remanescentes Quilombolas. Católico, foi um defensor corajoso do direito às manifestações religiosas de matriz africana para que pudessem ter seus espaços respeitados, além de outras demandas do povo negro.

Como presidente e membro da Comissão de Direitos Humanos da Alesp ele não titubeou na defesa de grupos e pessoas mais sofridas: moradores de rua, os sem-terra, os presidiários entre outros. Sua presença entre eles era constante e lhes passava esperança de um dia terem seus direitos conquistados e respeitados.

No PT, tanto ele quanto seu filho Marcelo são casos a serem estudados em teses de doutorado e mestrado, pelas vitórias que deram ao PT em Suzano e no Alto Tietê. José Cândido foi vereador por 3 mandatos naquela cidade. Marcelo foi eleito deputado estadual e depois prefeito reeleito. José Candido viria a conquistar dois mandatos de deputado estadual. Com eles, a cidade de Suzano e a Assembleia Legislativa conheceram um jeito novo de fazer política, com participação popular, com avanços nas áreas de saúde, educação e cultura. Os bairros conquistaram melhorias urbanas e o povo foi conhecendo cidadania. Juntos imprimiram derrotas à coroneis da política local e ao preconceito racial.

A figura do deputado José Candido, onde chegava, impunha respeito, não só pelos seus cabelos brancos e seu sorriso fácil, mas, muito mais pela sua calma e serenidade, sua figura humilde e sua firmeza de posições. Além de companheiro de Bancada, eu o tinha como um companheiro e amigo e também um pouco como um pai.

Valeu, Seo Cândido! Sua vida e sua militância já era em vida e vai ficar como um dos mais belos exemplos de que política se faz com ética, honestidade e compromisso social. Você conseguiu, o que é raro, dar um sentido muito bom ao seu trabalho, à sua militância e à sua vida, colocando-a a serviço dos mais pobres e humildes e da causa da justiça social, da democracia e da solidariedade.

Simão Pedro

Artigo: A Guerra da Bósnia e a desocupação do Pinheirinho!

Artigo: A Guerra da Bósnia e a desocupação do Pinheirinho!

A Guerra da Bósnia foi um conflito armado que ocorreu entre abril de 1992 e dezembro de 1995 na região da Bósnia e Herzegovina na  Europa.

Fatos assombrosos  ocorreram naquele período. A guerra por si só já é algo que  assusta, há sempre mortes brutais de crianças, mulheres e jovens entre  militares e  civis,  entre outras, este conflito  ficou marcado pela onda de violência sexual em massa cometido contra as mulheres, numa tentativa de desmoralizar toda aquele povo tido como inimigo pela  parte oposta, uma barbárie,  onde a dignidade humana era uma palavra sem nexo e sem importância, a vida parecia  não ter valor.

No Brasil, no caso Pinheirinho, após ouvir minuciosamente os diversos atores, testemunhas oculares, não só da violência física que teriam sido praticadas por agentes do poder público, mas também, da ação de agentes do judiciário, que usaram dos poderes a eles conferidos para  promover e decidir litígios de forma equitativa e  justa  em seu aspecto jurídico, teriam usado para abusar e desvirtuar o papel da justiça (falo do juiz que teria dado ordens ao  comandante em terra da operação  para não cumprir ordem judicial emitida pela Justiça Federal).

O que é pior, o agente policial que agride e tortura, ou o agente do judiciário (JUIZ) que fora da sua área de jurisdição orienta ao não cumprimento de uma ordem da Justiça Federal? Qual o objetivo deste juiz? Seria esta uma  afronta ao Estado Democrático de Direito, orquestrada pelos ideais capitalistas?

Com o passar dos dias, após o destacado empenho do Senador Eduardo Suplicy, novos capítulos vão surgindo , deixando  parcela da sociedade atônita e indignada (é assim que me sinto),  refiro-me a suspeita de que membros de uma família  teriam sido vitimas de atos  das mais variadas formas de violência, psicológica através de ameaças contra a vida, violência física cometidas por pancadas na cabeça através do uso cabo de armas de fogo e finalmente eles teriam conseguido sua máxima e nefasta aproximação aos fatos que ocorreram na Bósnia, abusar sexualmente de duas mulheres  e ameaçar empalar com cabo de vassoura o jovem do sexo masculino, causando mau trato físico, desmoralizando e amedrontando os demais.

Consta em notícia divulgada no site do Senado Federal, que os agentes do Estado, policiais da ROTA, teriam obrigado  as jovens a  completar a frase : “Deus faz , a mãe cria e a Rota faz o que?”  Um jovem negro amigo meu , semanas atrás relatou ter sido abordado por policias da Rota que ao liberá-lo teriam dito: “ A ROTA,  se sabe né?

Mais um capítulo na história brasileira, que aguarda uma  séria investigação e um desfecho  que eleve o padrão moral do Estado de São Paulo, da Justiça.  Este é o anceio  da sociedade brasileira.

Obs. Empalar é praticar o  empalamento ou empalação é uma método de tortura e execução utilizada antigamente que consistia na inserção de uma estaca no ânus, vagina, ou umbigo até a morte do torturado. Algumas vezes deixava-se um carvão em brasa na ponta da estaca para que, quando esta atingisse a boca do supliciado, este não morresse até algumas horas depois, de hemorragia. Usava-se também cravar a estaca no abdômen.

A Bósnia não pode ser aqui, não pode ser em nehum outro lugar do mundo!

Contribuição de Alex Ferreira / Ativista dos Direitos Humanos

Artigo: O veneno na nossa mesa

Artigo: O veneno na nossa mesa

Nos últimos dias os brasileiros ficaram impactados com as notícias divulgadas nos grandes jornais e telejornais sobre o uso abusivo de agrotóxicos em quantidades acima do permitido na produção de itens de grande consumo popular como o pimentão, o morango, a batata, o tomate a alface entre outros.

Para que nosso leitor possa entender o problema, os ministérios da Agricultura e da Saúde autorizam o uso de determinados produtos em lavouras em quantidades limitadas, dependendo dos produtos e da lavoura, para que não prejudiquem a saúde dos consumidores, dos trabalhadores e do meio ambiente.

Na semana passada, a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária, órgão ligado ao Ministério da Saúde, divulgou os resultados do Programa de Acompanhamento de Resíduos Agrotóxicos em Alimentos (PARA) que analisa, em parceria com os governos estaduais, a presença de defensivos agrícolas usados em 20 produtos.

Infelizmente, o Estado de São Paulo ficou mais uma vez fora das análises, pois o governo tucano nega-se a participar alegando que já faz análises por sua própria conta. Na verdade, a Vigilância Sanitária de São Paulo analisa somente três produtos: arroz, feijão e laranja e de forma esporádica.

Na mesma linha, a Proteste, entidade de defesa dos direitos do consumidor, analisou em setembro amostras de uva, pimentões, alface e couves e encontrou vestígios de pesticida em 63% das amostras de uva adquiridas em supermercados da capital paulista, além do uso de agrotóxicos não permitidos para este tipo de lavoura.

As análises da ANVISA mostraram que um terço dos vegetais consumidos pelos brasileiros apresentaram resíduos de agrotóxicos em níveis inaceitáveis. As amostras de pimentão, por exemplo, continham 92% a mais de agrotóxicos do que o permitido, seguido pelo morango (63%) e pepino (57%).

Dos 50 princípios ativos ou moléculas mais usadas na composição de produtos agrotóxicos no Brasil, em 20 países eles já foram proibidos. Um exemplo é o Endossulfan, que aqui no Brasil só será banido em 2013 já foi proibido nos EUA e na China por ser cancerígeno.

Denúncias como estas já tinham vindo a público no filme documentário “O veneno está na mesa”do cineasta Silvio Tendler, lançado recentemente, onde ele confirma informações como as descritas acima e mostra que o Brasil tornou-se o maior consumidor de agrotóxicos do mundo, num mercado que movimentou mais de R$ 7 bilhões em 2009.

Na Assembleia Legislativa de São Paul fui relator da CPI da Segurança Alimentar que, durante 6 meses (outubro 2010 a março 2011), depois de ouvir cerca de 20 autoridades no assunto (pesquisadores da USP, UFSCar, Unesp e Unicamp, lideranças de movimentos sociais, autoridades), chegou à conclusões assustadoras sobre o uso de centenas de agrotóxicos nas lavouras paulistas e mostrou a falta de políticas públicas e estrutura governamental para fiscalizar os abusos e irregularidades. A CPI indicou aos governos estadual e federal uma série de medidas, entre elas a aprovação urgente de uma lei estadual, de minha autoria, que propõe o banimento do uso de 14 moléculas já comprovadamente prejudiciais à saúde e ao meio ambiente e presentes em mais de 200 agrotóxicos comercializados no nosso Estado. Sugeriu também a estruturação da VISA e a participação de São Paulo no programa PARA, entre outras.

A ingestão de comida com excesso de agrotóxicos de forma prolongada pode causar câncer, problemas neurológicos que levam à depressão, por exemplo e malformação dos fetos na barriga das gestantes. Eu não tenho dúvidas de que o aumento da incidência de casos de câncer em nossa sociedade tem muito a ver com o aumento do uso de agrotóxicos nas nossas lavouras.

Nossa sociedade não pode ficar refém dos interesses de meia dúzia de empresas multinacionais que só buscam aumentar mercados e auferir maiores lucros à custa da saúde dos brasileiros e da degradação de nosso meio ambiente. E os governos precisam tomar medidas preventivas, senão continuará gastando enormes recursos em tratamento de saúde, muitas vezes sem mais possibilidades de recuperação.

Por Simão Pedro

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