Após seis meses de atividade, o mais impactante projeto de gestão Doria, o Cidade Linda, não engrenou e virou uma vitrine embaçada para o prefeito que não quer ser prefeito, mas presidente da República. Lançado como uma espécie de metáfora da realidade, para que a população fosse levada ao erro de achar que uma nova era de grandes melhorias iria acontecer num passe de mágica na cidade de São Paulo, o referido programa está virando, na verdade, com o seu fracasso, o retrato acabado da criatura que vai contra seu próprio criador.

 

Segundo levantamento do portal G1, de propriedade do sistema Globo, das 25 intervenções realizadas de janeiro até a data de publicação da matéria, o programa priorizou ações em áreas centrais e negligenciou os bairros periféricos da cidade. Porém, o mais preocupante é que não há um planejamento para a manutenção periódica dos serviços realizados. Isso levou a constatação de retorno dos problemas encontrados, como acúmulo de lixo e mato, buracos, semáforos queimados, entre outros. A ação segue o seguinte script: O prefeito comparece ao local paramentado de gari, participa da limpeza por alguns minutos junto com algum secretário e gestores locais, posa para fotos e faz uma rápida intervenção a ser postada em sua página no Facebook. Isso revela aos moradores que o Cidade Linda é apenas uma ação de marketing localizado e com tempo definido que visa apenas publicidade pessoal do prefeito.

 

Os próprios números entregues pela gestão atual ao portal demonstram que o programa como iniciativa a que se propõe de zeladoria e limpeza é bastante tímido em relação, por exemplo, ao volume coletado pela limpeza urbana em São Paulo. Segundo dados fornecidos por Dória “até o dia 17 de junho foram realizadas 25 edições do Cidade Linda. Nas ações foram recolhidas 665,4 toneladas de lixo, feitas 5735 podas e remoções de árvores, 4.478 limpezas de bocas de lobo e de 478 bocas de leão”. Dados da Autarquia municipal de limpeza urbana (Amlurb), de janeiro a dezembro de 2015, indicam, por exemplo, que apenas no recolhimento de materiais advindos da poda, a cidade recolhe, em média, mais de 100 toneladas/dia; de resíduos de boca de lobo, cerca de 27 toneladas/dia; de varrição perto de 297 toneladas/dia; e entulhos 1347 toneladas/dia. Outro exemplo é a impressionante reforma de 5 quilômetro de calçada, até o presente momento, numa cidade que possui 30 mil quilômetros.     

 

 

No fundo, a grande prioridade de Dória é a venda do patrimônio da prefeitura municipal. Seu empenho é garantir uma parceria consistente com a iniciativa privada, seja por meio das privatizações ou das chamadas parcerias com empresas. Por tras disso sempre se reforça a idéia de que o privado é melhor que o público. Não é por menos que seu grande empenho hoje é passar na Câmara Municipal, o projeto de lei para que a prefeitura possa fazer as concessões de mercados, sacolões, terminais de ônibus, parques e praças as vendas do Anhembi, Interlagos e do estádio do Pacaembu. A gestão privada é uma das bandeiras do prefeito tucano para garantir esteio financeiro do Mercado ao seu projeto à candidatura à presidência da República.
Essa talvez seja a única política “pública” que interessa realmente ao prefeito atual.

 

Concomitantemente à entrega dos ativos, vem ocorrendo o desmonte das estruturas administrativas para precarizar os serviços, como a população vem percebendo e fortalecer ainda mais os objetivos da privatização. Isso aconteceu com a extinção da Secretaria de Serviços, que era responsável pelas gestões dos resíduos sólidos, iluminação pública, serviço funerário e inclusão digital e que durante o governo Haddad foi reestruturada para buscar maior eficiência, com valorização e contratação de novos profissionais, além de realizar parcerias e inovar com programas inéditos ou reforçar os já existentes.

 

Além da reorganização administrativa, a gestão Haddad elaborou em 2014, com ampla participação de representantes da sociedade civil, o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, data de validade até 2034 que definiu metas e resultados para áreas fundamentais como coleta seletiva, relação com cooperativas de catadores, inovação tecnológica, educação ambiental, entre outros.

 

O mesmo pode se afirmar em relação à Iluminação Pública. Através de uma gestão planejada foi possível ampliar e remodelar o serviço na capital, além de implantar soluções inovadoras como a iluminação por Led, que permite baixa manutenção, alta eficiência energética e longa vida útil (cerca de 12 anos contra 4 anos das lâmpadas normais). Hoje mais de dois milhões de paulistanos são beneficiados por essa tecnologia.

 

Somos contrários à privatização do Serviço Funerário, como preconiza o prefeito, que precisa continuar público para persistir no caminho de oferecer um serviço humanizado, de boa qualidade e isso se faz com uma gestão determinada e honesta. A autarquia é responsável pelo gerenciamento de 22 cemitérios municipais e 15 agências funerárias. Ao contrário do que veicula Dória, hoje não é mais deficitária e melhorou substancialmente o atendimento ao munícipe.

           

A insistência de Dória em negligenciar os anseios da população já reflete nos índices de aprovação da sua gestão. O instituto Ipsos detectou que de abril a junho, a rejeição do atual prefeito subiu de 39% para 54%, resultado da alta expectativa frustrada pelas promessas de marketing como foi o Cidade Linda. Seu nome como candidato à presidência também está fazendo água na medida em que abandona a cidade ao léu e adere de corpo de alma à permanência de Temer, rejeitado por 90% da população, e as reformas trabalhistas e previdenciárias que atingem em cheio o eleitorado da periferia e da classe média. Enquanto Dória navega nas águas do poço de Narciso, a cidade vai sofrendo as turbulências da sua péssima atuação.

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