Enquanto o governo Temer só se mexe com ações para se auto-preservar e para agradar ao Mercado – leia-se banqueiros, rentistas e analistas financeiros – a situação dos trabalhadores e do povo em geral só se agrava, como o desemprego entre os jovens. Dados da Organização Mundial do Trabalho divulgados essa semana apontam que até o final de 2017, 30% dos jovens brasileiros, entre 15 a 24 anos, estarão sem trabalho. Segundo a OIT é a maior taxa desde 1991 e duas vezes superior a média internacional que indica que o desemprego entre essa parcela no mundo é de cerca de 13,1%.

Infelizmente foi essa parcela, em sua maioria da classe média, que foi para as ruas em 2013 sob o argumento de derrubar o preço das tarifas de ônibus, mas que no fundo se transformou em movimentos para queda da presidenta Dilma financiados pelo PSDB, PMDB e por forças econômicas americanas e brasileiras. A sabotagem contra um governo legítimo foi tão evidente que naquela época o Brasil tinha uma das menores taxa de desemprego da sua história entre os trabalhadores e jovens. E que, portanto, não justificaria tamanha reação contra os governos populares e do PT.

Entre as justificativas para o crescimento escandaloso do desemprego juvenil em 2017, a OIT aponta a queda do crescimento da economia brasileira, o aumento brutal da informalidade em que os trabalhadores que tinham carteira de trabalho são obrigados a aceitar nova realidade determinada pelo desmonte trabalhista e dificultando o acesso aos jovens e as incertezas decorrentes de um cenário político e econômico que freiam os investimentos.

Em 1991, a taxa brasileira de desemprego entre os jovens era de 14,3% e, em 1995, chegou a cair para 11,4%. Mas a segunda metade da década de 90 registrou um aumento, com um pico em 2003. Naquele ano, o desemprego de jovens era de 26,1%. Entre 2004 e 2014, a taxa caiu, chegando a 16,1%. E, com a crise, voltou a subir, atingindo no ano passado 27,1%. E esse ano vai chegar aos 30%.

Pra piorar, segundo estudo feito por Marcelo Neri, da Fundação Getúlio Vargas, entre o primeiro trimestre de 2015 e o primeiro trimestre de 2017, a renda recuou 15,3% ao ano para os jovens de 15 a 19 anos, e caiu 7,9% ao ano para aqueles com idade de 20 a 24 anos. No conjunto de todos os trabalhadores brasileiros, a queda foi menor, de 3,3% ao ano. Para ele, em entrevista ao G1, “Os jovens são os grandes perdedores da crise do mercado de trabalho. O desemprego é sempre mais elevado entre eles, mas o ponto é que essa taxa que já era alta aumentou bem mais para esse grupo”.

Além do desemprego brutal, pesquisa do IBGE também mostrou que o mercado de trabalho brasileiro encerrou o terceiro trimestre com 26,8 milhões de trabalhadores desocupados e subocupados que são as pessoa que poderiam ter disponibilidade para uma jornada maior e que deveriam ganhar mais do que recebe. Ou seja, isso demonstra mais um reflexo da queda na economia e a diminuição da renda do trabalhador. Somados a isso, o desemprego no país ainda continua em patamares muito elevados. Segundo o IBGE, ainda são 13,1 milhões de pessoas em busca de um emprego, número 9,1% maior que há um ano, mas 4,8% menor que há três meses. Porém, esses postos criados foram em sua maioria via ocupação informal caracterizado pelo empregado sem carteira de trabalho ou por conta própria.

A massa dos trabalhadores sem carteira assinada cresceu 2,7% em relação ao trimestre anterior, representando um incremento de 286 mil pessoas. Em relação ao mesmo trimestre do ano anterior, houve aumento de 5,4% (mais 552 mil pessoas).
Os trabalhadores por conta própria somaram 22,8 milhões de pessoas, crescimento de 2,1%. Em relação ao mesmo período do ano anterior, também houve variação positiva: 2,8% representando um aumento de 612 mil pessoas. Já o número dos que ainda contam com a carteira, em relação ao mesmo trimestre do ano passado houve queda de -2,2% (menos 765 mil). Ou seja, além da queda na economia, os patrões já começam a colocar em prática o desmonte trabalhista de Temer, aprovado pela sua base no congresso nacional, para ferrar o trabalhador.

A conjunção de crise econômica, política, desmonte dos direitos trabalhistas, a implantação da terceirização selvagem, além da restrição de investimentos por 20 anos em saúde, educação e infraestrutura por parte do estado brasileiro, decretada por Temer, jogaram o futuro dos nossos jovens em um imenso aterro de lixo. O golpe traçou um destino cruel para todos os brasileiros, mas especialmente para os jovens e, se nada for feito para reverter esse desmonte, sobrará um mundo de trabalho informal, com renda muito precarizada, sem oportunidades de ascensão por meio dos estudos, e sem qualquer tipo de aposentadoria.

É possível reverter esse quadro? Sim! Nos governos de Lula e no primeiro de Dilma, ficou claro que é possível um outro quadro, com investimentos em ensino técnico e universitários, no fortalecimento do mercado interno e em investimentos que estimulem a economia com a preservação dos direitos sociais. Mas isso é tarefa para outro tipo de Governo, que coloque o bem-estar do povo no centro de suas ações e faça o Estado e a economia funcionar para esse objetivo!

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