A quadrilha de corruptos no poder, que a cada dia demonstra mais e mais sua gula, porém, protegida por setores do Judiciário, mídia, Ministério Público e a elite financeira, conseguiu fazer emergir o monstro da ditadura militar pelas palavras do general da ativa Hamilton Mourão. Em palestra feita na semana passada para maçons, que foram favoráveis ao impeachment de Dilma, o militar disse que se não conseguirem solucionar o “problema político, pela ação do Judiciário, retirando da vida pública esses elementos envolvidos em todos os ilícitos”, os militares terão “ que impor isso”.

O duro recado do general deve ser repudiado por aqueles que defendem à democracia como alternativa para saída da crise política e econômica em que se encontra o nosso País. Somente uma ação articulada e conjunta das forças de centro e progressistas desse país que envolva movimentos sociais, empresários, comerciantes, sindicalistas, entidades de classe, mídia alternativa, instituições públicas que prezam o Estado Democrático de Direito, e que busque aliança com a população que está sendo atingida pelas duras medidas do governo golpista, poderá fazer frente a essa nova tentativa de aplicar novo golpe dentro do golpe.

Os 21 anos de ditadura militar no país trouxeram como resultado a década perdida para a economia nos dez anos subsequentes. A fome a miséria aumentaram em um grau extremo com a concentração de renda e fundiária cujo resultado foi milhões de famílias famintas e sem perspectivas de melhora de vida. Foram eliminadas todas as experiências e atividades com relação à educação pública de qualidade e em seu lugar houve o fortalecimento do ensino privado. O acesso universal à saúde pública nunca existiu na ditadura! Esse direito só foi conquistado a partir da Constituição de 88. Houve um grau de violência institucional sem precedentes, com agentes do Estado cassando, torturando e matando os adversários da ditadura. Foram também implantadas a censura política, com cassação de partidos e a proibição de manifestações, além de jornais e livros para que a população não tomasse conhecimento do que realmente estava ocorrendo nos porões do militares. Ao contrário do que muita gente pensa, a corrupção que foi uma das bandeiras para o golpe militar ter apoio inicial, tal como agora, não diminuiu e ainda tornou milionários empresários que apoiaram os militares. O chamado “milagre econômico” foi para poucos.

As palavras de Mourão também trazem o equivoco de jogar para o Poder Judiciário a resolução da crise politica atual. Ou seja, o militar fortalece a noção moralista corrente na imprensa e, principalmente, em setores extremistas da sociedade de que o juízes são responsáveis pelo “conserto” do país. Uma visão equivocada que a realidade joga por terra.

Em que pesem os princípios fundamentais iniciais da Lava jato, de combate à corrupção e aos agentes privados e públicos que a praticaram, houve um desmembramento dessas orientações que primeiro trouxeram como consequência a paralisação de setores importantes da economia brasileira, como a construção civil, infraestrutura, agroindústria e a cadeia do petróleo e gás, com demissão de milhares de trabalhadores, ajudando a aprofundar a crise econômica do país. Esse movimento impulsionou a entrada do capital internacional e a entrega do patrimônio público como o pré-sal, a Petrobrás e a Eletrobrás.

No bojo, ocorreu a utilização da delação premiada e da prisão provisória como arma de ataque político para alimentar manchetes dos jornais, assassinar reputações, condenações, e evitar a apresentação das provas materiais ou de outra natureza, por parte dos acusadores. O ex-presidente Lula é o principal alvo deste jogo que foi engendrado após o golpe parlamentar que foi ratificado, até o momento, pelo STF. E um processo que é seletivo pois poupa partidos e líderes como o PSDB dos tucanos que não recebeu qualquer punição a despeito das denúncias e provas levantadas.

Não há experiência no mundo em que um país comandado por juízes possa dar conta da realidade de uma população. Por ser uma corporação, as contradições serão e são inerentes à sua condição de funcionamento, hierarquia e também aos valores e juízos de uma classe social privilegiada em relação à maioria esse país. Os membros dessa corporação aqui no Brasil são duros e moralistas ao aplicar as leis contras os “inimigos” que são os “brandidos” ou políticos da esquerda ou que apoiaram a esquerda. Mas são tolerantes com os seus membros em práticas ruins.

Portanto, o Povo brasileiro precisa retomar as rédeas do processo político para garantir a retomada da Democracia. A sociedade civil organizada, em suas variadas correntes e pensamentos, mas que defende o direito de ir e vir, a liberdade de expressão, a diversidade, a melhoria da qualidade de vida por meio de melhor educação, saúde, habitação, transporte e segurança pública, com mais emprego e cidadania, precisa estar atenta e disputar esse momento crucial para que não haja mais retrocessos do que o que já estamos vivendo!

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