O Golpe não tardou a mostrar a que veio. A divulgação do áudio do homem forte do golpismo, Romero Jucá, confessando que o impeachment foi apenas e tão somente uma farsa que visa deter a operação Lava Jato, o anúncio do confisco do Fundo Soberano do Pré-Sal e dos cortes na Saúde, Educação e fomento a produção vislumbram tempos sombrios para o País se o golpista Michel Temer permanecer no cargo.

A sociedade brasileira assistiu atônita aos acontecimentos das últimas semanas. O governo do presidente interino e ilegítimo Michel Temer vem destruindo em poucos dias conquistas adquiridas duramente ao longo de décadas pela luta dos brasileiros e das brasileiras.

A primeira vítima foi a Democracia. O golpe parlamentar travestido de impeachment, conduzido contra a presidenta Dilma Rousseff, onde diversas provas de sua inocência foram solenemente ignoradas inclusive pelo Supremo Tribunal Federal, terminou por afastar da Presidência da República uma chefe do Executivo que não cometeu crime de responsabilidade. Conquistada após vinte e um anos de ditadura militar, a Democracia foi duramente golpeada.

Ao tomar posse, o vice-presidente – que conspirou abertamente pelo Golpe – encerrou um período de presença expressiva das mulheres e dos negros no alto escalão da república e empossou um governo formado exclusivamente por homens brancos. Extinguiu de imediato, importantes ministérios como os da Cultura, do Desenvolvimento Agrário e da Previdência Social e nomeou como responsável pelos assuntos jurídicos do governo o advogado de Eduardo Cunha, revelando que o ex-presidente da Câmara – réu na Lava Jato – é quem toma as decisões no governo golpista.

A relação entre o Golpe e o acobertamento da corrupção ficou escancarada com a divulgação pelo jornal Folha de São Paulo do aúdio com a conversa entre o presidente do PMDB e ministro Romero Jucá, e o ex-presidente da Transpetro, indiciado na operação lava jato, Sérgio Machado. Na conversa fica revelado que o golpe do impeachment contra Dilma foi apenas uma operação de salvamento dos diversos políticos pmdbistas e tucanos citados em casos de corrupção através do refreamento da operação Lava Jato com a complacência de membros do Judiciário, da mídia e dos militares.

Apesar de de se ver constrangido pelo conteúdo do aúdio a exonerar Romero Jucá, o golpista Temer anunciou com naturalidade o confisco da poupança do Pré-Sal denominada Fundo Soberano, que é uma reserva criada em 2008, no governo LULA, cujo saldo chega a R$ 2,4 bilhões.

Além disso, anunciou medidas para acalmar o mercado especulativo. Dentre elas, o “confisco” de R$ 100 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que serão devolvidos ao Tesouro Nacional, reduzindo a capacidade de financiamento da produção, além de reforçar a intenção de reduzir investimentos na saúde e na educação, limitando seu orçamento, visando formar superávit para o pagamento de juros aos bancos.

Este aceno aos “mercados” tem um claro objetivo: sinalizar que a fase entreguista do Golpe começou. A quebra do monopólio da Petrobrás na exploração do Pré-Sal e a extinção do Fundo Soberano estão prontas para serem executadas. Os recursos provenientes dos royalties da exploração que seriam destinados à educação e à saúde passarão a ser apropriados pelas petrolíferas estrangeiras.

Antes que a próxima fase seja encaminhada – a da destruição dos direitos trabalhistas – é necessário que a sociedade brasileira se mobilize e tome as ruas exigindo que o Senado devolva o mandato legítimo, conferido pelas urnas, à presidenta Dilma Rousseff. E que o combate implacável a corrupção, a defesa dos direitos trabalhistas e da soberania nacional retorne ao centro da agenda do País. Antes que seja tarde.

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Para Além da Cultura do Estupro
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