Neste sábado entra em vigor o pior desmonte que os golpistas oferecem para os trabalhadores brasileiros: o fim oficial da CLT e o início da demolição das leis trabalhistas aprovadas pela base corrupta do governo Temer no congresso nacional. Em seguida, para jogar a pá de cal, vão tentar aprovar o desmonte da Previdência Social, derrubando de vez todos os direitos conquistados ao longo dos últimos 70 anos pela classe trabalhadora do País.

As centrais sindicais marcaram para a sexta-feira, dia 10, atos de protestos em todo o país. Entre as ações, estão a defesa dos direitos trabalhistas, contra o desmonte da Previdência e pelo fim do trabalho escravo. Em São Paulo, a manifestação começará com a concentração às 9h30, na Praça da Sé, e continuará com uma caminhada até a Avenida Paulista. Também está previsto um ato dos servidores públicos no Palácio dos Bandeirantes, às 14h, na sede do governo paulista de Geraldo Alckmin (PSDB), contra o projeto que prevê a limitação de investimentos públicos no estado.

Além da luta nas ruas, as centrais estão apostando na reversão das leis trabalhistas tanto na Justiça – há um entendimento de que o desmonte de Temer é inconstitucional em vários itens – quanto na coletam assinaturas para uma campanha nacional para apresentar o Projeto de Lei de Iniciativa Popular que anula a Reforma Trabalhista.

Entre as centenas de itens que foram aprovados para derrubar a CLT e os direitos dos trabalhadores em negociações coletivas, algumas se destacam por sua perversidade e selvageria, como o trabalho de grávidas e lactantes em locais insalubres; a indenização por assédio moral e sexual valerá de acordo com o que a vítima ganha; as mulheres deixarão de ter direito a descanso; haverá a oficialização do trabalho de 12 horas seguidas por dia que cria na prática o trabalho de jornada exaustiva que compromete a saúde e a qualidade de vida do trabalhador, e por fim, a implantação do trabalho intermitente, no qual o empregado não terá vínculo formal com a empresa, mas fica como escravo preso a um contrato que necessita de sua disposição 24h por dia. Os próprios golpistas passaram a admitir que “o desmonte da legislação trabalhista implica em redução de direitos sociais”, como afirmou o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, Ives Gandra Filho.

Itens do desmonte trabalhista de Temer já são aplicados na Espanha e na Inglaterra. Após anos de prática todos os estudos apontam o crescimento do trabalho precarizado e de baixa remuneração, que não elevou o desempenho destas economias nem tirou esses países da crise econômica que afeta boa parte dos trabalhadores, principalmente entre os espanhóis.

No Brasil esse fenômeno já vem se consolidando. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE) divulgou a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, que mostra um avanço no número de trabalhadores informais no Brasil. O levantamento é o primeiro após a aprovação do desmonte da CLT aprovada no dia 11 de julho. Nesse período, houve um crescimento de 11% para 12% de pessoas que estão trabalhando sem carteira assinada, os autônomos saíram de 24% para 25%. O emprego formal sofreu queda de 38% para 36% no último ano.

Desde o golpe, os brasileiros principalmente os trabalhadores mais pobres, estão perdendo seus direitos rapidamente. A reação da classe média conservadora, racista e homofóbica que lotou as ruas para tirar Dilma e colocar os corruptos no poder é de inteira aprovação, apesar de seus membros também serem apunhalados com perda de direitos, emprego e perspectivas. Mas esses, pelo jeito, estão fugindo para outros países para trabalhar como precarizados e continuarem a falar mal do Brasil e os brasileiros.

Deveremos ser capazes de em 2018 construir uma grande frente progressista para eliminar todas as nefastas iniciativas implantadas pelos golpistas. Lula deverá ser novamente o condutor para a retomada dos direitos e da democracia, juntando as pessoas de boa vontade, líderes de movimentos sociais, dos partidos progressistas, intelectuais e artistas, trabalhadores do campo e da cidade, jovens, idosos e religiosos do bem. Caso contrário, infelizmente, a realidade já observada pelo poeta Bertold Brecht, antevendo o nazismo na Alemanha, se transformará em realidade.

INTERTEXTO
Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram uns desempregados
Mas como tenho meu emprego
Também não me importei.

Agora estão me levando
Mas já é tarde.
Como eu não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo.

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