Linha 15 - Monotrilho de São Paulo
Linha 15 – Monotrilho de São Paulo (Foto: Diogo Moreira/Máquina CW)

A primeira vem da categoria dos metroviários e seu combativo Sindicato e trata sobre os problemas da obra do Monotrilho que liga os bairros da Vila Prudente ao de São Mateus, denominada Linha 15-Prata. Prevista para ser entregue em 2012, por ocasião da Copa do Mundo no Brasil, até hoje ela não funciona plenamente e sofre com problemas estruturais. É bom frisar que essa obra sofreu várias críticas – eu mesmo me posicionei contra publicamente em muitas ocasiões quando exercia a função de deputado estadual – pelo seguinte motivo:

Não é o modelo ideal de transportes de massa para o volume de passageiros daquela região superpopulosa. O monotrilho foi concebido para transporte em trechos turísticos, de menor distância e com menor densidade de passageiros. Para a Zona Leste o ideal é o metrô mesmo. O monotrilho transporta metade dos passageiros do metrô – na Linha 15 a previsão é de 400 mil passageiros/dia contra 1 milhão da Linha 4 – e sua obra e operação custam 2/3 das do metrô convencional. Além disso, o recente problema que está fazendo a Linha 15 andar de forma parcial é o equipamento de via chamado Finger Plate que é uma placa de metal afixada nas vigas de concreto pra evitar dilatação. Os parafusos que fixam o equipamento na via acabam se soltando com o passar dos trens que, lotados, causam trepidação e soltam os parafusos. A implantação da Linha 15 custou ao erário público em torno de R$ 5 bilhões e foi concedida à iniciativa privada – a CCR que ganhou o leilão – por R$ 169 milhões.

Evidentemente não é uma questão somente de incompetência. A ideia de fazer monotrilho ao invés de metrô tinha por trás a proposta de ser um negócio, ou seja, construir e conceder para a iniciativa privada administrar, pois esse sistema exige poucos funcionários, o que seria um atrativo para empresas privadas parceiras.

E é sempre bom lembrar que nas eleições de 2014 o governo tucano anunciava que o Monotrilho chegaria até o bairro da Cidade Tiradentes e depois das eleições, vencidas por Alckmin, seu governo veio a público anunciar que o projeto havia mudado e a última estação ficaria mesmo em São Mateus. Se isso não é um estelionato eleitoral, não sei o que é!

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CORRUPÇÃO E PREJUÍZOS

O sistema metroferroviário de São Paulo virou um Frankstein, com linhas geridas pelas empresas estatais Metrô e CPTM, outras concedidas para a iniciativa privada, monotrilhos ao invés de metrôs, linha quase fantasma (linha 13 até o aeroporto de Cumbica), obras paradas (Linha 6-Esmeralda que deve ir do centro até a Brasilandia) e outras que geram dúvidas se vão funcionar (casos dos monotrilhos nas linhas 15-Prata e 16-Ouro, esta ultima que vai do aeroporto de Congonhas à Marginal Pinheiros e cuja empresa que forneceria os trens faliu).

Há ainda  todo o escândalo de corrupção que ficou conhecido por Trensalão, operado por agentes públicos dos vários governos com esquema de Cartel, já apurado pelo CADE e confessado por várias empresas e delações, que revelaram esquemas de propinas e caixa 2 para eleições e candidatos, via superfaturamento e desvios de bilhões de reais dos cofres públicos. E nem vou entrar aqui dos prejuízos que a Linha 4-Amarela vem causando ao Metrô por conta dos atrasos da obra e implantação e erros de cálculos na previsão de passageiros que faz o governo, através do Metrô, a ter que indenizar constantemente o Consórcio que administra a linha por conta de um contrato que jogou todo o risco para o setor público. No ano passado o Metrô teve que internalizar um prejuízo em seu balanço no valor de R$ 300 milhões que deveriam ser repassados pelo governo paulista para o Consórcio em função de número de passageiros abaixo do previsto em contrato (Que pedalada!).

Eu não tenho dúvidas ao afirmar que o povo paulista da Capital e Região Metropolitana sofre há décadas com a baixa expansão e atrasos das obras do Metrô e CPTM por conta da corrupção e do péssimo planejamento das gestões tucanas, que espelham uma visão de que governar é facilitar negócios para parceiros privados, deixando o interesse público em segundo plano.

Infelizmente, nós das oposições nunca conseguimos mostrar com mais vigor essa situação para o eleitorado paulista, talvez por incompetência, mas com certeza muito mais por conta da omissão de parte da grande mídia ou da má vontade de setores majoritários do Ministério Público e do Judiciário que são muito lentos nas apurações de denúncias.

(Artigo também publicado no site Brasil247 em 10/01/2020)

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