O ex-presidente usurpador Michel Temer admitiu ontem no programa Roda Viva, da TV Cultura, que de fato houve um golpe no Brasil e até vangloriou Lula. Por outro lado, o STF e outros setores do Judiciário já dão mostra de que não tolerarão mais as ilegalidades de Sérgio Moro e sua operação Lava Jato que recebem críticas severas e têm decisões anuladas. Só quem não para com sua agenda é o ministro da economia Paulo Guedes que já mira o fim do reajuste do salário mínimo que foi uma outra conquista histórica do povo brasileiro.

Vi na afirmação de Temer um “recado” para os setores que o querem fora do jogo político, mas preso e execrado. Temer se beneficiou do golpe. Não teria o que reclamar, mas a curta prisão o deixou com as orelhas em pé. É o jogo! Infelizmente essa turma da Direita, nos governos Lula e principalmente no da Dilma, ganharam musculatura com cargos em ministérios e estatais e depois participaram do golpe que tirou Dilma, prendeu Lula e sonha em banir o PT.

A revelação de que foi a Lava Jato quem escreveu a minuta do pedido de impecheament do Gilmar Mendes no STF é central. Revela a guerra entre os grupos que mais investiram no golpe, na prisão de lula e na eleição de Bolsonaro, como Moro, Deltan, Rede Globo, Departamento de Estado Americano, tucanos, sistema financeiro e o STF. Eles se unem quando os interesses são comuns, mas se esmurram quando o interesse de um não interessa ou bate de frente com o do outro. A instalação da CPI da Lava Toga, no Congresso Nacional, para investigar as ações do STF é também isso: contempla os que foram ou poderão ser perseguidos politicamente pela turma do Moro.Tem uma gama enorme de parlamentares de vários partidos que não está só no campo do PT.

Os da turma da direita não dão ponto sem nó, nem jogam almoço fora. Na divisão do poder central, já perceberam que estão perdendo mais do que poderiam ganhar, no campo político e econômico, que são os que lhe interessam. No social eles estão pouco se lixando. Paulo Guedes na verdade é um player do jogo sujo do sistema financeiro: vive de golpes e subornos. Não é e nunca será formulador de políticas públicas. É predador, bancado pela iniciativa privada financeira. Só faz o jogo das Bolsas de Valores. Depois de retirar o aumento do salário mínimo pela inflação mais a variação do PIB, propõe agora outra maldade: congelar os reajustes do salário mínimo pela inflação, demonstrando frieza diante da pobreza e fome que avançam, ao lado do flagelo do grande desemprego.

E o resto da Burguesia que apostou no monstro da extrema-direita, como fica? Creio que já está com as barbas de molho. Esse setor olha o que aconteceu na Argentina de Macri, onde quase todos os setores produtivos e de serviços correm sérios riscos, e percebe que o mesmo perigo ronda o Brasil. Pra piorar, os argentinos já sofrem com o aumento da miséria e agora podem perder o que ainda têm no sistema bancário, com um possível confisco. Nós já sabemos e sentimos o que é isso, no governo Collor, com o sequestro das poupanças. Collor caiu porque só vislumbrava o enriquecimento criminoso da sua facção, como faz o monstro da extrema direita agora.

No lado político viram que Lula só cresce diante desse cenário de caos econômico e social. Mas estão numa sinuca de bico: se continuam apoiando BolsoNero sabem que alimentam ainda mais o fascismo. Se não apoiam, acabam entregando de bandeja o governo para Lula. Por isso, neste momento, investem suas armas na relação com Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados, assim como fizeram em 2016 apoiando Eduardo Cunha e Michel Temer e ainda procuram turbinar seus candidatos como Luciano Hulck e Dória. E para isso precisam apostar no jogo eleitoral, mas com o Bolsonaro fortalecido este não deixará acontecer.

Lula, mesmo preso e limitado numa pequena cela e recebendo visitas controladas, não arreda o pé de lutar pela sua inocência e sair da prisão. E a prisão não é um limitador para ele. Tem lido livros, artigos e notícias, faz exercícios, tem dado entrevistas onde mostra-se cada vez mais afiado e recebe visitas de líderes nacionais e da esquerda e centro-esquerda do mundo todo. Ou seja, da sua postura de grande estadista, faz do limão uma limonada. Os vazamentos do The Intercept continuam trazendo à tona as armações de Sérgio Moro e Dallagnol para dar base ao golpe de 2016 e tirar Lula da disputa. Essa ultima que revelou o vazamento seletivo de Moro das gravações de Lula antes do Impeachment de Dilma para influenciar o STF e a opinião pública pegou forte. As pesquisas de opinião, como a última divulgada pelo Vox Populis já mostram que a maioria do povo acredita na sua inocência. Lula e nós, seus apoiadores, continuamos aguardando o julgamento positivo do pedido de Habeas Corpus no STF e a outorga do prêmio de Nobel da Paz para ele nas próximas semanas, enquanto mantemos as vigílias, atos e coleta de assinaturas de um abaixo-assinado do movimento Lula Livre. Situações difíceis, mas que podem mudar mais ainda o cenário a favor do ex-presidente.

O triste é ver que Ciro Gomes, do PDT, não muda de atitude. Ele continua apostando no voto antiPT para ganhar as eleições em 2022. Mas é uma estratégia que não deu certo em 2018, além do desgaste de ele ter “fugido” para Europa e lavar as mãos deixando o mostro da extrema direita ganhar as eleições. Diante do fiasco do atual governo e seu isolamento, continua repetindo a mesma estratégia, mas, pior, ela precisa, para ter alguma chance, que Lula continue preso. Também está, digamos, numa sinuca de bico, por conta dos caminhos ambíguos em que se meteu.

Sinal positivo mandam os partidos do campo da esquerda que sinalizam unidade em torno das eleições municipais do ano que vem, para derrotar o bolsonarismo. O PT sinaliza apoio ao PSOL no Rio, Florianópolis e Belém, assim como ao PCdoB em
Porto Alegre e espera reciprocidade em São Paulo e outros centros. É fundamental que isso se confirme, do contrário podemos ver outra tragédia política como a que ocorreu em 2016 e 2018!

Os movimentos sociais e entidades do campo popular, apesar dos golpes que vem sofrendo do governo com o corte de recursos para as universidades federais, programa Minha Casa Minha Vida, reforma agrária, preservação da Amazônia, projetos culturais e sociais, buscam resistir. No último feriado de 7 de setembro foram às ruas com o “Grito dos Excluídos” em dezenas de capitais e cidades e com os estudantes protestando contra os cortes na educação. O ato para lançar o Movimento Nacional em Defesa da Soberania e Contra a Privatização das Estatais juntou em Brasília as principais lideranças da esquerda e centro-esquerda e trabalha pra ganhar o apoio da sociedade para suas pautas, desgastado o governo e sua já combalida popularidade. Ainda guardam fôlego para tentar reverter o desmonte da Previdência Social, cuja PEC agora está em discussão no Senado Federal.

E o caminho para as esquerdas e o campo popular e progressista é esse mesmo: não apostar no “quanto pior, melhor”, mas se unir em torno da denúncia da destruição do país e crescimento da vertente fascista do governo Bolsonaro e também de Dória e Witzel, defender o caminho da Democracia, apresentando alternativas e saídas para o enfrentamento da crise, do desemprego, da violência e entrega da nossa soberania e nosso patrimônio!

BOLSONARO SÓ GOVERNA PARA OS SEUS E SUA REPROVAÇÃO CRESCE, MAS SISTEMA SE MANTÉM
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