Nas duas últimas semanas houve um realinhamento das forças golpistas para dar um golpe dentro do golpe, com a destituição de Temer e no seu lugar guindar Rodrigo Maia, parlamentar do DEM e presidente da Câmara dos Deputados. Essa ação visa manter a quadrilha de assaltantes no Poder central, mas tirando a força do PMDB e alçando a velha dobrada DEM/PSDB, com objetivo garantir a aprovação do desmonte da legislação trabalhista e previdenciária, além de manter a política de desmonte e venda do estado brasileiro.

Esse esquema demonstra, no fundo, que o golpe dentro do golpe deu sinais de que se consumou. Temer poderá ter sobrevida se na terça-feira conseguir aprovar no Senado a reforma trabalhista, que fará retroceder em 70 anos os direitos dos trabalhadores e decretará o fim da CLT.

Nos últimos 15 dias, Aécio Neves, a cabeça visível, junto com Temer, da quadrilha que está no Poder, conseguiu todas as vitórias no STF e no Senado Federal. Saiu ileso, apesar das provas gravadas em áudio e em filmagem, de ser preso e cassado, além de ter livrado sua irmã e o comparsa responsável pelo carregamento de malas com dinheiro de corrupção. Além do mais, a maior parte dos seus processos que ainda estão em andamento caiu nas mãos de Gilmar Mendes e Alexandre Moraes, que já foram e ainda agem como advogados tucanos.

Aécio está solto para não atrapalhar a operação do Mercado e de tucanos da retirada de Temer da Presidência. Se ficasse estirado num canto, poderia abrir o bico com uma delação devastadora. Por sua vez, as delações do doleiro Funaro, ligado às operações de lavagem de dinheiro do PMDB, de Cunha, além da prisão de Geddel Lima, um dos grandes operadores deste partido, somadas às provas obtidas na operação que envolveu a JBS, podem resultar na aprovação do afastamento de Temer por corrupção e crime organizado via Congresso Nacional.

Paralelo a esse esquema, a escolha da nova Procuradora Geral da União, Raquel Dodge, no lugar de Janot, desobedeceu critério adotado desde a época do governo Lula, que era a de aceitar o nome que ficasse em primeiro lugar na votação da categoria. A nova PGR ficou em segundo e seu nome foi divulgado após um encontro entre Temer e Gilmar Mendes. Vale lembrar que foram Janot e o Ministro Fachin que articularam junto com a PF de Brasília, a operação que resultou nas provas contra Temer e Aécio no caso JBS.

Somado a isso, o governo golpista acabou com a força da Polícia Federal que atuava exclusivamente nas operações da Lava-jato. Essa equipe, na verdade, foi criada somente para caçar petistas, assim como a força tarefa com os membros do MPF, todos alojados em Curitiba. Como já cumpriu sua tarefa, perdeu razão de existir e foi dissolvida. Porém, concomitante a esse esquema, entra em cena o último suspiro da Lava-jato, com o projeto de impedimento do ex-presidente Lula se candidatar em 2018, seja por condenação pelo juiz Sérgio Moro, seja por uma eventual prisão ou alguma outra alternativa. Se isso ocorrer, haverá, na verdade, a confirmação de uma fraude eleitoral, já que está evidente que não há prova alguma contra o ex-presidente, como próprio MPF admitiu nas suas alegações finais.

A queda de Temer, a guindada de Maia, a conivência do STF, o enfraquecimento proposital da Lava-jato e a eventual cassação da candidatura do presidente Lula são os sinais do aprofundamento do golpe que, frise-se, não terá pudor em desmontar as eleições de 2018, se o Mercado, que providenciou as malas de dinheiro, com apoio da mídia, entender que seu projeto estará ameaçado. É isso que importa a essa quadrilha, que não dá a mínima pelas necessidades e anseios da maioria do povo brasileiro e interesses da Nação.

Em um ano, a fome que foi afastada durante os governos Lula e Dilma, voltou com força, conforme notícia do próprio jornal O Globo de hoje, junto às famílias mais carentes; o desemprego já atingiu o nível recorde de 14 milhões de pessoas e afeta com mais força os jovens; as cadeias da indústria naval, de infraestrutura, petróleo e gás e da construção civil foram desmontadas, resultando em milhões de desempregados e enfraquecimento das receitas orçamentárias de estados e municípios; os investimentos públicos em saúde e educação diminuíram com a entrada em vigor da PEC 55, que inibe recursos para esses setores, agravando a recessão e o atendimento nos serviços; a terceirização irrestrita, aprovado por Temer em março, para diminuir os custos aos empresários e os salários dos empregados, representou, na verdade, o aprofundamento da recessão num contexto de economia de baixo consumo. A destruição do País como Nação está há um passo de acontecer com a aprovação das reformas trabalhistas e previdenciárias.

Nesse contexto de caos, sobem nas pesquisas candidaturas extremistas que são ligados ao fascismo no campo político e ao neoliberalismo no campo econômico. As forças da Esquerda e do campo Progressista estão demonstrando unidade, para barrar os retrocessos e conter o aprofundamento do golpe. Movimentos e sindicatos estão rompendo a barreira das informações manipuladas erguida pela grande mídia e pedem, além do fim das reformas, as eleições diretas já, gerais e com Lula na disputa.

Não há outras saídas, tanto do ponto de vista econômico, como social e político, se o País não rumar nesse sentido. Estamos numa encruzilhada, disputando um cabo de força, cujo desfecho será vital para sobrevivência literal ou não, do povo brasileiro!

São Paulo é o castelo dourado dos tucanos
O País está nas mãos de psicopatas. Para resolver: Diretas já e com Lula na disputa!
Compartilhe

Receba  Informativo

Você assinou nosso boletim com sucesso e em breve receberá correspondência !