Em menos de 72 horas, o modelo do golpe implantado no país ficou evidente e com o Temer fortalecido. O saldo é um país em vias de devastação e mergulhado no caos político e social. O preço cobrado pelo mercado das malas foi contundente, pois perceberam que somente uma quadrilha com práticas de crime organizado e dirigentes com viés psicopata, sem remorso ou arrependimento por crimes praticados, poderia implementar tamanha sanha de ilegalidades e imoralidades contra o povo brasileiro. Se percebe com muita nitidez que há um corpo definido que age conforme as regras e a mando do grande capital internacional que comanda hoje a economia do país.

Esse corpo político definido, de pensamento único é o retrato acabado de um balcão de negócios que define o montante da corrupção e quem deve ser beneficiado pelos recursos dos desvios públicos. Não importa qual a esfera de poder. As últimas decisões do STF permitindo a promiscuidade na troca de deputados por nada menos do que 12 parlamentares na Comissão de Constituição e Justiça, para dar vitória à Temer e derrotar o parecer para que sofresse denúncia pela Câmara por corrupção foi revelador desse esquema, que não tem mais pudor em se revelar como age e qual o preço do trabalho a ser feito.

Só lembrando: Temer passou a ser investigado a partir das delações premiadas da JBS e de gravações em que ficou demonstrado que o usurpador sabia que a empresa fazia pagamentos para calar a boca de dois delatores em potencial que poderiam derrubar o seu mandato: o doleiro Lúcio Funaro e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha. E nada fez para impedir isso, muito pelo contrário estimulou o empresário da carne a continuar com o crime.

O intermediário de Temer, o então deputado Loures, foi filmado e preso pela PF recebendo uma mala de dinheiro contendo R$ 500 mil de corrupção. Por esse crime foi preso, mas logo solto, e afastado do seu mandato. Um lobista da JBS ofereceu ainda a Loures uma “aposentadoria” para o presidente Temer de até R$ 1 milhão por semana durante 25 anos. Mas nada disso, apesar das provas gravadas, filmadas e apreendidas e que constam na denúncia do PGR Rodrigo Janot, foi motivo para tornar Temer réu no STF.

Nessas últimas horas ficou escancarada a banalização da prática da corrupção que corre solta nos meandros do poder privado e público nas mais altas esferas da administrativa, política e jurídica. Foi uma ação planejada a sangue frio que teve início com a aprovação e posterior sanção da reforma trabalhista, que enterrou a CLT, enfraqueceu a ação dos sindicatos de trabalhadores e, portanto da negociação dos próprios empregados e transformou a Justiça do Trabalho num órgão em que só o patrão poderá ter acesso.

Para desviar a atenção da opinião pública, um dia posterior a aprovação da deforma trabalhista, o Torquemada de Curitiba, Sergio Moro, condena Lula, sem qualquer prova material, à prisão e perda dos direitos políticos. Foi uma decisão política de apenas cinco páginas eivada de palavras vazias e sem levar em conta qualquer prova levantada pela defesa que comprovou que o tal tríplex jamais pertenceu ou mesmo ficou na posse do ex-presidente. Se as próximas pesquisas continuarem a apontar Lula como candidato preferido, não temos dúvida, esse mesmo corpo político não terá pudor de condená-lo na segunda instância.

Concomitante a esse roteiro, a Justiça tem funcionado como avalista deste modelo de golpe ao soltar todos os outros atores que praticaram crimes de corrupção comprovados e que estão relacionados diretamente aos principais dirigentes do PMDB/PSDB. Assim foi com Aécio Neves, cujas provas foram gravadas, filmadas e apreendidas e mesmo assim voltou ao Senado Federal para comandar o fim da CLT. O mesmo aconteceu com sua irmã, acusada de atuar no esquema de propinas, e também seu primo Fred, este pego em flagrante com uma mala de dinheiro. Em seguida, o ex-deputado Loures também foi solto mesmo sem tornozeleira. E agora nas últimas 48 horas foi libertado também, o ex-ministro Gedel Vieira, uma das cabeças da quadrilha de Temer e que recebia malas e malas de dinheiro em uma sala do aeroporto de Salvador, conforme delações do ex-doleiro Lucio Funaro.

Para superar esse quadro, o obstáculo é difícil mas não intransponível: só restabelecendo a Democracia e devolvendo ao povo o direito de escolher seus dirigentes e um programa, com eleições diretas já e sem caçar o direito de Lula disputar. Nesse sentido, as palavras do Lula no seu discurso de quinta no diretório nacional do PT são fundamentais para que todos os que defendem a democracia continuem na luta:

“Porque se eles acabaram de destruir tudo o que foi construído de direito dos trabalhadores desde 1943, se eles estão tentando destruir a conquista dos trabalhadores mais a previdência social, se eles estão tentando destruir a indústria nacional, estão tentando destruir a coisa mais simples que nós criamos, que é o componente nacional, pra que a gente possa desenvolver uma industria nacional. Se eles estão tentando destruir a Petrobras, se eles estão tentando destruir as empresas de engenharia, porque não sabem o que fazer, eu queria dizer: Senhoras da Casa Grande, permitam que alguém da Senzala faça o que vocês não tem competência de fazer neste país. Permita que alguém cuide desse povo, porque este povo não está precisando ser governado pela elite. Esse povo tá precisando ser governado por alguém que conheça a alma dele, por alguém que saiba o que é fome, o desemprego, por alguém que saiba o que é a vida dura que leva o povo pobre desse país. E eu quero terminar dizendo o seguinte, sabe, quando esse país não tiver mais jeito, sabe, quando os economistas de direita não tiver mais solução, por favor, permita que a gente coloque o pobre no orçamento outra vez. O pobre do orçamento, Damião, o pobre no mundo que trabalha, o pobre recebendo salário, o pobre recebendo crédito, que a gente faz esse país voltar a crescer, faz o povo voltar a sorrir e faz o povo voltar a ter o otimismo que tinha todo tempo que nós governamos esse país.”

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