As repercussões sobre o caso do estupro que 33 homens cometeram contra uma jovem de 16 anos trouxe, finalmente no Brasil, a pauta sobre a cultura do estupro. No país, atualmente uma mulher é estuprada a cada 11 minutos. Pensar que muitas mulheres, sofrem abusos enquanto escrevo este texto me revolta e magoa.

Por Mariana Lettis*

A cultura do estupro, não é apenas a que culmina com a violência física, “prova” da força do homem sobre o corpo da mulher que ele “penaliza”, mas o machismo que diariamente vivenciamos e que faz com que o delegado que atendeu primeiramente o caso, se sentisse no direito de constranger e culpabilizar a vítima, como sempre ocorre. O tamanho da repercussão fez com que a sociedade cobrasse justiça e uma delegada assumiu o caso. Em 24 horas ela concluiu o que não era obvio pro delegado. O crime foi comprovado pelo vídeo, já se fez a primeira detenção. Esperamos que não haja impunidade para os 33 envolvidos.

Em relação ao estupro, deixa eu explicar pra vocês…

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O atendimento dado às mulheres nas instituições e a pressão psicológica que sofremos de forma cotidiana, inibe que muitas façam denúncias. Mais do que cultura de estupro, temos que falar de cultura machista. Essa cultura que contribuiu para a derrocada de um governo eleito democraticamente nas urnas, por exemplo. Nunca, nenhum presidente foi exposto em adesivos de pernas abertas. Nunca, nenhuma figura política masculina foi julgada na opinião pública como histérico ou nervosinho.

Todo dia, as mulheres na política, temos que comprovar capacidade, firmar posição, “cotovelar” espaços que são naturalmente dados a homens com a mesma formação ou até com menos experiência na área apenas porque somos mulheres que, na cultura machista, deveríamos ficar em casa cuidando da louça, dos filhos, do lar, como se fosse apenas da gente essa tarefa, como se fosse apenas da gente a responsabilidade de educarmos a prole. Mesmo a esquerda decepciona quando os seminários, oficinas, congressos promovidos com a temática das mulheres, são apenas por elas presenciados e não pela maioria homem.

Para ilustrar um pouco sobre esse universo masculino da política …

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Acredito que para acabarmos com a cultura machista, a cultura do estupro – lembrando que machismo mata todo dia e feminismo não – precisamos da participação também dos homens que tem um senso comum e queiram dialogar sobre isso. Precisamos mudar a cultura da paternidade que continua eximindo aos homens de qualquer responsabilidade, com isso pais igualmente responsáveis se fazem necessários.

Nesse sentido, o exemplo do psicólogo Alexandre Coimbra que propõe uma conversa de homem para homem sobre a “Cultura do Estupro no Brasil e o que temos a ver com isso”, na próxima sexta-feira, dia 3 de junho, no Clube Homs, Av. Paulista, 735, é uma atividade gratuita, aberta a todos os homens da cidade, que espero que seja seguido por outros homens e que outras iniciativas como esta se multipliquem e sejam o abre alas das vozes das mulheres.

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*Mãe solo, doula, feminista, membro da Artemis (ONG que trabalha pelo fim da violência obstétrica e os direitos das mulheres), comunicadora social, cozinheira de mão cheia e dançarina nas horas vagas.

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