A proposta de impeachment já havia sido protocolada na semana passada, depois que o Bozo, com suspeita de estar com o vírus após viagem aos EUA, saiu nas ruas, como um sádico tresloucado, em apoio aos protestos contra o Congresso Nacional e STF, confraternizando-se com seus fanáticos apoiadores. Seguiu-se uma série de mentiras sobre resultados dos testes, entrevistas atrapalhadas e caricatas, gestos de ciúmes em relação ao seu ministro dos planos de saúde Mandetta.

Ao que tudo indica, foi no último fim de semana, quando o coronavírus entrou na fase de expansão e mortes mais rápidas,  que Bolsonaro, influenciado por seu ministro Paulo Guedes, seus amigos empresários mais próximos, líderes das grandes igrejas neopentecostais e o chamado “gabinete do Ódio” (seu filho Carlos e os ministros e secretários que agem sob orientação do astrólogo brasileiro-norteamericano Olavo de Carvalho) decidiu ir para a ofensiva. Na madrugada de segunda-feira, o País foi surpreendido com a edição de uma Medida Provisória (917/2020) permitindo que as empresas possam suspender os contratos com seus funcionários por até 4 meses sem precisar pagar salários, além de outras mudanças no que restou da Legislação Trabalhista, sempre desfavoráveis aos trabalhadores. Depois, descobriu-se que a MP foi encomendada pela Confederação Nacional da Indústria com apoio da famigerada Fiesp. Ou seja, o governo, instrumentalizado pelos grandes capitalistas, resolveu se aproveitar da crise gerada pelo coronavírus para impor à sociedade mais perdas de direitos aos trabalhadores, dando fim ao que restou do sistema de proteção social.

Apelidada de “MP da morte” ou “da Maldade” por demonstrar toda a insensibilidade do governo e setores patronais para com a vida dos trabalhadores, além de ser inconstitucional e correr o risco de ser devolvida pelo Congresso Nacional, a proposta do governo teve repercussão negativa muito forte, fazendo Bolsonaro recuar e Paulo Guedes aparecer dizendo que tudo não passou de um mal entendido, fazendo publicar nova edição sem o artigo central.

Concomitantemente a isso, empresários milionários como o véio da Havan, o Durski dono da hamburgueria Madero, Roberto Justos, entre outros, passaram a dinamitar, nas redes sociais e entrevistas, a estratégia dos prefeitos, governadores e pessoal da área da Saúde, de isolamento social como contenção à proliferação do coronavírus, defendendo a reabertura do comércio e serviços não essenciais. Durski, mostrando toda a insensibilidade da sua classe, chegou a dizer que “tudo bem que morrerão de 5 a 7 mil pessoas, mas a economia não pode parar”. Em outra trincheira, os pastores evangélicos Silas Malafaia e Edir Macedo foram na mesma linha, minimizando os efeitos do coronavírus e exigindo autorização para reabertura das suas igrejas.

Durski, Justus e Havan prepararam o terreno para o pronunciamento em que Bolsonaro dobrou a aposta. Foram algorotimizados ao extremo, inclusive pela esquerda. Assim como foi feito com os pastores. A estratégia foi falar para os pobres ligados ao neopentecostais, para setores dos trabalhadores que temem o desemprego, micro e pequenos empresários e para o núcleo duro da classe média que saiu dos esgotos. Eles representam em torno de 12 a 30% do eleitorado. Dessa forma, Bolsonaro também passaria a ideia, para seus apoiadores, de que está preocupado com a economia para salvar empregos. Se a coisa degringolar, não seria por culpa dele que tentou mas governadores, prefeitos, outros políticos e a turma da ciência não o deixaram tomar as medidas que defendia.

Ontem à noite Lula entrou na parada. Em entrevista à Haddad no Facebook, ele abandonou a ideia de que não era hora de propor impeachment e passou a defender a saída do presidente, seja por renúncia ou por impeachment. E hoje de manhã ganhou repercussão a matéria da importante jornalista Maria Cristina Fernandes do jornal Valor Econômico de que a carta de renúncia de Bolsonaro já estaria sendo preparada e negociada com ele em troca daquilo que seria “o maior bem dele”, ou seja, a imunidade para seus filhos contra as acusações que pesam contra eles, principalmente nos casos conhecidos como “rachadinha”, enriquecimento ilícito, envolvimento com milicianos e na morte da vereadora Marielle Franco.

A matéria do Valor Econômico pode soar como balão de ensaio, mas, diante das circunstâncias, pode mesmo apontar um processo rumo a saída de Bolsonaro. Lula pode ter sido procurado para ajudar a construir algo nessa linha, já que mudou frontalmente o que pensava no início do mês. Hipótese muito remota, já que Lula está cumprindo isolamento voluntário.

Acontece que esse tipo de saída não muda a linha econômica do governo e do Congresso. Ainda mais com a manutenção de Paulo Guedes à frente do poderoso Ministério da Economia, que tem sido um entrave no combate à pandemia no Brasil, segurando recursos para a área da Saúde e também negando socorro às empresas, pequenos e médios empresários, trabalhadores formais e informais e os pobres.

Cabe à Esquerda garantir que os trabalhadores, os pobres informais, pequenos, médios empresários e a classe média sejam protegidos como em outros países, e que o nosso SUS seja recomposto e protegido de uma vez por todas, até por que esse não sera o último coronavírus.

Artigo também publicado no site Brasil247 em 26/03/2020)

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