Amazônia em chamas
QUEIMADAS NO BRASIL DISPARAM SOB INCENTIVO DE BOLSONERO E AUMENTAM 82% EM RELAÇÃO A 2018

“Durante a campanha corpo a corpo no ano passado, antes de levar a facada, Bolsonaro passou por Rondonia e Mato Grosso onde teve votações expressivas no meio ruralista e sinalizou para a expansão sobre a Amazônia, sobre territórios indígenas, questionou as unidades de conservação. Ele criou nesse público associado ao desmatamento o sinal de ‘vamos em frente, é a oportunidade’”. Essas palavras do pesquisador Arnaldo Carneiro Filho, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, o Impa, que fica em Manaus, não são nenhuma novidade.

E também não é nenhuma novidade o aumento das queimadas sob o governo Bolsonaro e seu ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que trabalham para o enfraquecimento da fiscalização ambiental, acusando o Ibama e o ICMBio de “atuarem de forma ideológica, questionando inclusive os dados do Impe que mostram aumento no desmatamento na Amazônia, levando à demissão de seu diretor. Bolsonaro passou a ser chamado de “Bolsonero”, numa alusão à Nero, o imperador romano que tacou fogo em Roma.

FIM DO FUNDO AMAZONAS?
Ainda nesta guerra que trava com os ambientalistas, o governo Bolsonaro resolveu atacar o Fundo Amazônia, gerido pelo BNDES a partir de doações de governos como a Noruega e Alemanha e que promove ações e financia projetos de proteção à Floresta Amazônica e desenvolvimento sustentável. A Alemanha informou que deixaria de destinar recursos e a Noruega – que contribui com 95% dos US$ 3 bilhões anuais – corre o risco de se retirar tamanha a hostilidade demonstrada pelo governo brasileiro.

AUMENTO DAS QUEIMADAS E DESMATE
Entre janeiro e agosto foram registrados 71.497 focos de queimadas, o maior número dos últimos sete anos, apontam dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais). Mato Grosso é o estado com mais ocorrências. Dados do Inpe divulgados nesta segunda-feira (19/08) apontam que as queimadas no Brasil aumentaram 82% quando comparadas as ocorrências registradas entre janeiro e 18 de agosto de 2019 às do mesmo período no ano passado.

Segundo o Programa Queimadas do Inpe, nos primeiros oito meses deste ano foram registrados 71.497 focos de queimadas contra 39.194 no ano anterior, marcando o maior número registrado desde 2013, primeiro ano de que o Inpe tem registro para o período. O recorde anterior ocorreu em 2016, quando foram registrados 66.622 focos.

Os estados onde foram registrados os maiores aumentos em relação ao ano passado foram: Mato Grosso do Sul (260%), Rondônia (198%), Pará (188%), Acre (176%) e Rio de Janeiro (173%). Os números do Mato Grosso, com 13.641 focos, correspondem a 19% do total das queimadas no Brasil neste ano e a um aumento de 88% em relação ao mesmo período de 2018.

O mês de agosto vem batendo o recorde dos últimos sete anos, com 32.932 focos de queimadas, o que significa um aumento de 264% em relação ao mesmo mês de 2018.

De acordo com os dados, gerados por imagens de satélite, nas 48 horas que antecederam o dia 19 de agosto, foram registrados 5.253 focos no Brasil. No mesmo espaço de tempo houve 1.618 focos na Bolívia, 1.166 no Peru, e 465 no Paraguai. Grandes áreas da Amazônia foram atingidas.
Segundo Alberto Setzer, pesquisador do Programa Queimadas do Inpe, as queimadas “são todas de origem humana, umas propositais e outras acidentais, mas sempre pela ação humana”.

“Para você ter queimada natural você precisa da existência de raios. Só que toda essa região do Brasil central, sul da Amazônia, está uma seca muito prolongada, tem lugares com quase três meses sem uma gota d’água”, afirmou Setzer, citado pelo portal G1. De acordo com o pesquisador, que o fenômeno atmosférico El Niño contribui para o aumento da estiagem, mas não pode ser apontado com a causa dos incêndios, contribuindo apenas para que o fogo se espalhe.

RURALISTAS QUEREM MAIS ÁREAS PARA PLANTIO E PASTAGENS. ÍNDIOS SÃO VÍTIMAS
Eu conheço bem o assunto. Minha família migou em 1985 para Rondonia em busca de um pedaço de terras, num processo de migração incentivada e eu fiz minha dissertação de mestrado estudando o tema. Fui muitas vezes lá. Há uma mistura de interesses imediatos dos madeireiros e extrair e comercializar madeiras nobres de um lado. Quando acabam numa região, partem para outras. Por outro lado, grandes fazendeiros do agronegócio como os que plantam soja e os criadores de gado, que querem mais terras para aumentarem seus lucros e vêem nas áreas indígenas, parques e outras áreas protegidas essa possibilidade. Seu compromisso é com o aumento do seu lucro de forma imediata e veem nos órgãos ambientais um entrave. Infelizmente essa ideia também atinge muitos pequenos e médios proprietários e até assentados que vão pelo caminho mais fácil do desmatamento e não buscam ou têm conhecimentos sobre outras técnicas como agroecologia ou projetos de desenvolvimento rural sustentáveis. E os índios são as maiores vítimas pois seus territórios despertam a cobiça de mineradoras, garimpeiros e ruralista que vêem em seu modo vida um entrave e por isso jogam normalmente o povo contra eles. Bolsonaro é comprometido com esses setores e por isso tenta acabar com a Funai ou colocá-la sob o controle do agronegócio no Ministério da Agricultura e fala que não demarcará mais nenhum território indígena e que irá rever os já demarcados, podendo voltar às ondas de genocídio comuns no passado remoto e mesmo mais recente.

BOLSONARO ACUSA ONGs E É REBATIDO
Diante das críticas que vem recebendo mundo afora, Bolsonaro, de forma irresponsável como sempre e sem qualquer prova, acusou as ONGs, justamente aquelas que mais lutam pela preservação da Amazônia, de serem as responsáveis pelo desastre que ele e seu governo promovem, gerando protestos das ONGs e ex-ministros. Segundo Márcio Astrini, do Greenpeace, “Bolsonaro está projetando nos outros o que ele faria. É uma declaração doente e doente a gente não considera, a gente trata!”. “Bolsonaro é o responsável pelo aumento do desmate e incêndios e pela imagem negativa que constrói do Brasil no exterior”, declarou Carlos Rittl, do Observatório do Clima. Para o ex-ministro do governo Lula, Carlos Minc, a fala de Bolsonaro é “inacreditável”.

O CÉU CAIU NAS NOSSAS CABEÇAS
Nesta segunda-feira, uma névoa escureceu o dia em São Paulo, no Mato Grosso do Sul e no norte do Paraná, alertando não só os moradores dessas regiões, mas de todo o Brasil. À Folha de S. Paulo, Franco Nadal Villela, meteorologista do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), afirmou que a escuridão na capital paulista resultou da combinação de ventos que levaram material particulado das queimadas no Paraguai, na divisa com Mato Grosso do Sul, com a chegada de uma frente fria com nuvens bastante carregadas.

DISCURSO ENGANADOR
Esse discurso do Bolsonaro de que podem ser as ONGs as responsáveis pelos incêndios, vem na esteira de outro que costuma usar de forma a enganar setores desinformados da população: o de que a “Amazônia é nossa e os estrangeiros não têm que se meter aqui e que há interesses em controlar nossa Floresta”. Nada mais mentiroso: a Floresta Amazônica abarca regiões de 8 países, incluindo o Brasil e sua existência influencia a vida e o clima em toda a Terra. É por isso que sua preservação interessa à todos os povos do planeta. E é evidente que uma política irresponsável que incentiva sua destruição pode ocasionar uma interferência da ONU e nos tomar a administração desse território.

PROTESTOS
Diante do descalabro, entidades da sociedade civil, ONGs, ambientalistas, jovens estudantes, pesquisadores, partidos de esquerda e pessoas comuns preocupadas em fazer algo e exigir um basta diante da destruição da Amazônia, organizam nos próximos dias, atos de protestos em vários estados do Brasil e no exterior.

Não podemos ignorar ou enfiar a cabeça no buraco para não ver a realidade. A sobrevivência da nossa espécie, nossa saúde, nosso bem estar e tudo o mais está em jogo. Vamos nos somar aos atos e protestos e exigir um basta à toda essa insanidade e irresponsabilidade!

🌳🔥🌳🔥

Veja o horário das manifestações em defesa do nosso futuro e participe!

*Brasília, DF*
23.08 / 17hrs / Rodoviária do Plano (marcha para a Esplanada até o Ministério do Meio Ambiente para tirar aquele ministro de lá! #ForaSalles!)
*Rio de Janeiro, RJ*
23.08 / 17h / Cinelândia
*Sao Paulo, SP*
23.08 / 18hrs / MASP
*Salvador, BA*
23.08 / 14h / Em frente ao WetNWild, na entrada da Climate Week
*Curitiba, PR*
23.08 / 17:30h / Praça da Mulher Nua
*Londrina, PR*
23.08 / 15h / Calçadão de Londrina
*Atalanta, SC*
23.08 / 9h / Colégio Dr. Frederico Rolla
*Juazeiro do Norte, CE*
23.08 / 17h / Praça do Giradouro
*Recife, PE*
24.08 / 14h / Rua da Aurora
*Fortaleza, CE*
24.08 / 14h / Gentilândia
*Porto Alegre, RS*
24.08 / 15h / Parque Farroupilha
*Ribeirão Preto*
24.08 / 14 hrs / Av. Francisco Junqueira
*São Carlos, SP*
24.08 / 15h / Praça São Benedito
*Natal, RN*
24.08 / 15hrs / Midway
*Manaus, AM*
24.08 / 10h / Praça do Congresso
*Montes Claros, MG*
24.08 / 13h / Praça Dr Carlos Versiani
*Joinville, SC*
24.08 / 15h / Praça da Bandeira
*Mossoró, RN*
24.08 / 16h / Memorial da Resistência
*Belo Horizonte, MG*
25.08 / 10h / Praça do Papa
*Florianópolis, SC*
25.08 / 15h / Largo da Catedral
*Rio de Janeiro, RJ*
25.08 / 14h / Praia de Ipanema

*O mundo inteiro com a gente!!* 🌎🌎🌎🌎
*Lima, Peru*
23.08 / 14h30 / Na frente do Consulado do Brasil
*Kempten, Alemanha*
23.08 / 13h / St. George´s Hall
*Salamanca, Espanha*
23.08 / 19h / Plaza Mayor
*Turim, Itália*
23.08 / 17h / Piazza Castello
*Montevideo, Uruguay*
23.08 / 17h / Na frente da Embaixada do Brasil
*Guate, Guatemala*
23.08 / 12h30 / Na frente da Embaixada do Brasil
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BOLSONARO SÓ GOVERNA PARA OS SEUS E SUA REPROVAÇÃO CRESCE, MAS SISTEMA SE MANTÉM
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