A ideia de Dória em lançar um programa de alimentos com uso de ração – processada a partir de sobras da indústria, supermercados e varejo – para atender as camadas mais pobres da população não deveria ser surpresa para quem vem acompanhando de perto o desmonte das políticas públicas implantadas pelo seu governo ao longo deste ano. Mas o fato em si é realmente absurdo e contraria todas as normas e leis sobre a aplicação de programas de segurança alimentar no País. E demonstra que Dória chegou ao fundo do poço, totalmente descolado da realidade de uma cidade complexa como São Paulo.

Ao que tudo indica, a parceria feita com a empresa Plataforma Sinergia que seria a responsável pela produção da ração, é mais uma jogada de marketing de Dória. Desta vez para tentar sensibilizar o eleitor das regiões mais carentes de São Paulo, onde se concentra, segundo as pesquisas eleitorais, sua maior rejeição. E também um incentivo comercial para beneficiar mais um parceiro privado, como Dória tem feito ao longo de sua gestão.

Matéria divulgada pela rádio CBN neste sábado (14) revelou que a tal empresa não tem sequer fábrica instalada nem possibilidade de produção em escala. Apenas conta com ajuda de outras indústrias para produção somente de amostras como a que foi apresentada por Dória no dia 8 outubro, data do lançamento do programa. Mesmo assim, Rosana Perroti, proprietária da empresa e que não tem formação na área de nutrição, estranhamente não quis fornecer o nome das parceiras.

O mais estarrecedor é que pela matéria da CBN temos conhecimentos que “ a dona da Sinergia, Rosana Perrotti, disse ainda que não foi atrás de nenhum conselho nutricional para discutir a produção e distribuição da farinata, como é conhecida a ração, mas que tem amigos nesses conselhos e que a criação da farinata foi resultado de um processo que envolveu médicos, nutricionistas engenheiros de alimentos. No entanto, ela não nomeou nenhum deles.”
Na mesma matéria, a secretária municipal de Direitos Humanos, Eloísa Arruda, reconhece que não dá pra prever quando a distribuição da farinata começaria, já que ainda não existem as populações identificadas para a distribuição da ração. Por fim, a dona da Sinergia afirma agora ”que muito provavelmente o produto nem será distribuído em São Paulo, até porque pra isso é necessário um estudo de análise da população desnutrida, que seria alvo do programa “Alimento para Todos”.

Todas essas considerações feitas para a CBN contradizem o release, material informativo destinado à imprensa, publicado pela Prefeitura Municipal, no dia 6 de outubro, divulgando a parceria e a sanção do PL550/2016, do vereador Gilberto Natalini, que institui a Política Municipal de Erradicação da Fome e de Promoção da Função Social dos Alimentos (PMEFSA) para oficializar o uso da ração. No material informativo, a tal farinata recebe o nome sugestivo de Allimento que deve ter sido inventado por algum marqueteiro de plantão.

Ao contrário do que informa a dona da Sinergia à CBN, de que ainda não há uma fábrica em funcionamento para produção da ração em escala, no material informativo da prefeitura ela afirma que “a instituição já possui cerca de 50 toneladas do Allimento em estoque. “Inicialmente, teremos que fazer um estudo para definir quais serão os primeiros locais que irão receber o Allimento, mas a ideia é que a distribuição seja feita para as populações que vivem em situação de insegurança alimentar, como as que são atendidas nos equipamentos sociais da Prefeitura”, disse.

Também no mesmo material, a prefeitura informa que “O Allimento também será um dos itens disponibilizados nas cestas básicas distribuídas pelos Centros de Referência de Assistência (CRAS) para famílias em situação de risco e vulnerabilidade social”. Um dado que contraria a afirmação da secretária municipal de Direito Humanos de que ainda não há estudos das populações que receberiam a ração alimentar. Apesar da dona da Sinergia afirmar à CBN que não foi atrás de nenhum conselho nutricional para discutir a produção e distribuição da farinata, a prefeitura garantiu que o produto é “ seguro, está pronto para consumo e ainda pode ser balanceado para atender às diferentes demandas nutricionais. Ele pode ser simplesmente adicionado às refeições, mas também é possível fabricar outros alimentos, como pães, snacks, bolos, massas e sopas”.

Eu fui participante ativo do Projeto Fome Zero do antigo Instituto da Cidadania, que precedeu e deu base para as políticas do Programa Fome Zero e fui um dos criadores da Frente Parlamentar Latino Americana e Caribenha de Combate à Fome e à Desnutrição, ligada à FAO (ONU) e sou autor da Lei que incentiva o combate ao desperdício de alimentos. O que precisamos é incentivar o acesso da população à chamada alimentação de verdade, in natura, de qualidade, além da orgânica. E Dória apoia um governo golpista que vem desmontando todas as políticas que avançaram nos últimos anos nesse campo.

Ou seja fica evidente que Dória fez mais uma propaganda de um produto comercial do que propriamente um lançamento de um programa de fornecimento de alimentos que já nasceu condenado pela ignorância e despreparo do “gestor”.

Para saber mais:

CBN: Empresa do ‘granulado nutricional’ anunciado por Dória não tem fábrica

Prefeitura de SP: http://www.capital.sp.gov.br/noticia/prefeito-sanciona-pl-e-lanca-projeto-alimento-para-todos

Alckmin, como Temer, quer sufocar de vez a Saúde e a Educação
Só Lula para mandar o golpe para aquele lugar!
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