Após a realização do Congresso Nacional do PT, em que foram eleitas as novas direções em todos os diretórios zonais, municipais, estaduais e nacional, com a senadora Gleisi Hoffmann eleita como a nova presidenta nacional – é a primeira mulher a presidir o Partido, nosso partido decidiu realizar um encontro, no dia 3 de Julho, em que estive presente como membro da nova executiva estadual, para definir uma linha de ação conjunta para o estado de São Paulo, principalmente para fazer frente a difícil conjuntura imposta pelo golpe do PMDB-PSDB e pelas derrotas e desgastes da imagem do PT, não só no Estado, como em todo país.

O presidente do diretório estadual, Luiz Marinho, convidou para mesma os deputados federais e estaduais petistas e prefeitos paulistas e os vereadores da Capital, além das lideranças da Grande São Paulo. Lula e Gleisi compareceram e prestigiaram nossa iniciativa.

Marinho afirmou a necessidade de dar organicidade nas ações das bancadas municipais, estadual e federal como oposição ao PSDB e ao governo golpista.

Presente ao encontro, o ex-presidente Lula reforçou que são necessárias atividades constantes do PT em defesa dos direitos dos trabalhadores, ameaçadas pelas reformas previdenciária e trabalhista. Também incitou para que as lideranças defendessem o legado e a imagem do partido. E denunciassem o descaso do governo Alckmin para com as demandas da população do Estado e com o dinheiro público.

Essa constatação de Lula é fundamental para desmascarar o cerne central da ação nefasta dos tucanos na política brasileira. Um partido que se alojou a mais de 20 anos no comando do mais rico estado da federação, fazendo dele a sua galinha dos ovos de ouro para montar uma estrutura administrativa e política, com capacidade de cooptar a maioria dos órgãos vinculados a outros poderes. Além de manter a docilidade da maior imprensa privada do país.

Como deputado estadual, por três mandatos consecutivos, fui o primeiro parlamentar a denunciar os escândalos de corrupção envolvendo cartéis de grandes empresas multinacionais (Alston e Siemens) e empreiteiras brasileiras nas obras e compras do Metrô e CPTM. Também denunciei as negligências na construção da linha Amarela, que resultaram, infelizmente, na morte de sete pessoas, em 2007.

Passados mais de 10 anos após as primeiras denúncias, somente alguns dirigentes e executivos públicos e privados foram indiciados. Assim como ocorre na jurisdição de Curitiba, onde nenhum dirigente tucano, nem governador, nem mesmo qualquer secretário foram denunciados pelo Ministério Público, seja Estadual, seja Federal, já que essas negociações também envolviam recursos do estado brasileiro.

Se hoje parte dos brasileiros fica estupefato com a impunidade com que os políticos tucanos convivem, como ocorreu recentemente com Aécio Neves no STF, deve-se ter consciência de que essa condição foi criada e desenvolvida em São Paulo, por meio de ação que visa a “naturalização” da entrega para a iniciativa privada nacional e internacional, dos bens do Estado, principalmente através da política de venda do patrimônio público, do enfraquecimento de serviços públicos estratégicos e cassação dos direitos dos trabalhadores. Não importa a que preço.

Qualquer oposição a esse modelo é precedido de ataques vindos dos órgãos complacentes, seja por ação judicial, administrativa ou policial, seja pelo forte apoio das mídias tradicionais. Portanto, o que Temer faz e o que FHC fez quando presidente, nada mais é do que vem ocorrendo em São Paulo há mais de 20 anos. A única diferença  hoje é a velocidade em que tem ocorrido o desmonte do estado brasileiro e a destruição de direitos.

Ocorre que esse modelo trouxe no seu bojo, a conjugação de desvio de recursos públicos com a inapetência administrativa que jogou, por exemplo, boa parte dos paulistas na impossibilidade de obter melhores atendimentos em áreas como saúde, transporte, habitação, educação e segurança pública, cujas responsabilidades maiores foram em grande parte deixadas para os municípios. Esses, nos últimos anos, apelaram para convênios com a União, garantidos pelos governos Lula e Dilma, assim como o próprio governo estadual fez.

Mas com o golpe, que também produziu a recessão e desemprego, e a aprovação da PEC 55 do governo Temer/tucano, que restringe por 20 anos investimentos federais, já se constata a perda de repasses, que antes estavam garantidos para as áreas citadas. O que vem piorando a cada dia o investimento nesses setores fundamentais.

Porém, esse projeto criou raízes nacionais e está introjetado nos meandros da política, das empresas, bancos e dos poderes do Estado. Seus agentes operam em nível globalizado, a exemplo do Pedro Parente, hoje a frente da Petrobrás, onde, a toque de caixa, corre para vender à petroleiras estrangeiras as áreas de exploração do Pré-Sal. Isso contribui para enfraquecer a cadeia produtiva nacional do petróleo. Se eles pressentirem que não terão chances, não restam dúvidas: não terão escrúpulos de darem um novo golpe dentro do golpe, para assim continuarem administrando de acordo com os interesses do Mercado.

Portanto, derrotar a supremacia tucana em São Paulo será fundamental para extirpar um modo de governar que prioriza apenas grupos econômicos e políticos, que não medem esforços em destruir direitos sociais e que entrega políticas públicas fracas e ineficientes para a população.

Além de investir na unidade das ações de suas lideranças e na reorganização partidária nos municípios do interior e nas grandes cidades, será fundamental que o PT busque ampliar o leque político com outras forças do campo progressista, como as frentes, movimentos e partidos. Em São Paulo temos uma grande oportunidade, desde agora, de conseguirmos esse objetivo, indo para as ruas em busca da vitória, exigindo eleições diretas-já com Lula candidato.

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