Tentando entender a semana:

No filme JOAQUIM, do cineasta Marcelo Gomes, que traz uma ficção sobre o processo que levou o nosso herói TIRADENTES a liderar a Inconfidência Mineira, um diálogo entre o alferes e o poeta que o recrutou para a luta se sobressai. Tiradentes fala, revoltado com a situação que constata, “Aqui neste País só têm corruptos, ladrões e vadios”, ao que o poeta lhe repreende: “Você está pensando o que os colonizadores que estão pilhando este rico e promissor país quer que a gente pense. Que nós somos os culpados e que isso aqui não vai dar certo!”

O filme foi projetado na véspera do feriado do Dia da Independência, lá no novo cineclube do Círculo Zona Leste e serviu como pano de fundo para um debate entre os poucos presentes a respeito da conjuntura do Brasil atual.

A semana que passou foi marcada pelo ápice da sem-vergonhice e mau-caratismo de agentes públicos e da grande mídia brasileira contra o ex-presidente Lula. Agora, eles só esperam a prisão ou torná-lo incapacitado juridicamente para disputar as eleições de 2018. Por que dentro do jogo democrático não há adversários que possam vencer o ex-presidente. Isso ficou evidente em sua espetacular caravana realizada em nove estados do Nordeste que terminou também na semana passada. Mas, grande parte da população brasileira já entendeu o jogo sujo de uma elite política e econômica que só está aí para jogar o País pra baixo, com mesquinharias, pilhagem, corrupção, sujeira, entrega das riquezas minerais e golpes, um atrás do outro.

Para contrapor ao sucesso do encontro de Lula com o povo nordestino, a grande mídia, a Procuradoria Geral da República, via Janot, e o juiz Moro novamente se deram as mãos para tentar outra vez atingir o ex-presidente, justamente no dia do encerramento da caravana. E tentar desestabilizá-lo para quando for depor novamente em Curitiba no próximo dia 13.

JANOT E MORO: DESPISTAR?

Sem nenhuma novidade e plagiando o “power point” dos procuradores de Curitiba, Dalagnol à frente, Janot saiu, sem que ninguém esperasse, a acusar Lula e Dilma de maneira leviana de “liderarem uma quadrilha”. E Moro se valeu de uma delação do ex-ministro Palocci que, a exemplo de outros delatores que voltaram atrás de depoimentos que antes isentavam Lula, só apresentou palavras de ordem como o tal “pacto de sangue”
para ganhar manchetes de jornais, não apontando prova material de qualquer natureza.

As acusações de Janot e de Moro, serviram ainda para despistar a opinião pública sobre dois graves fatos que afetam pessoalmente o procurador geral e o juiz. A mulher de Moro junto com seu melhor amigo, é acusada de fazer parte de um esquema de venda de diminuição de penas para delatores. Os dois teriam recebido inclusive pagamentos por parte do doleiro Tacla Duran que denunciou esse esquema, conforme demonstrou o jornalista Luis Nassif. Estranhamente Moro saiu em defesa do amigo e desqualificou o doleiro que ele mesmo soltou.

Vale lembrar que parte dos delatores que concordaram falar apenas o que interessava a Moro e aos procuradores da lava jato, tiveram suas penas diminuída e também preservada boa parte da fortuna amealhada via corrupção. Nenhum grande jornal se interessou em investigar essa grave denúncia, nem mesmo os pares do judiciário. Mas a mancha de negociata pegou em Moro que, aliás, carrega no currículo o fato de jamais ter processado qualquer político tucano em sua jurisdição.

 

MILLER: O HOMEM DOS R$ 8 BI?

Janot teria feito uma embaralhada para tentar livrar sua cara sobre o conteúdo de novas gravações entre o dono da JBS, Joesley Batista e Ricardo Saud, responsável da empresa pela entrega da corrupção para políticos e outros agentes públicos. Na fala entre os dois, dá a entender que o então braço direito de Janot, o ex-procurador Marcelo Miller, teria orientado os corruptores a gravarem a conversa em que Temer concordou em receber a propina de R$ 500 mil reais, no qual foi pego em flagrante com o ex-deputado e homem de confiança do golpista, Rocha Loures; e sobre o pagamento de R$ 500 mil semanais para que Eduardo Cunha, mesmo preso sob as barbas de Moro, continuasse calado e não fizesse qualquer delação. Como ocorre até hoje.

Pra piorar, Marcelo Miller, saiu da procuradoria geral, um cargo concursado e bem remunerado, em que atuava na Lava Jato e foi advogar justamente para a JBS onde negociou um acordo de leniência com a própria PGR, baixando uma multa de R$ 10 bilhões para R$ 2 bilhões. Ou seja, é o homem dos R$ 8 bilhões. O ministro Fachin mandou prender Batista e Saud, mas por enquanto livrou Miller.

Suspeita-se que Janot iria se tonar sócio de Miller quando terminasse o seu mandato na PGR, o que acontecerá ainda esse mês. O procurador geral ainda prosseguiu com sua lambança ao se encontrar no sábado (9), depois de ter pedido a prisão do dono da JBS, com o advogado da empresa em um bar conhecido em Brasília.

 

MENDES, TEMER E AÉCIO SE APROVEITAM:

Temer e Aécio estão se aproveitando desse imbróglio criado por Janot para pedir a anulação das provas que a Polícia Federal conseguiu obter através de gravações, flagrantes e materiais como notas de dinheiro. Na semana que entra o “advogado mor” dos golpistas e tucanos, o ministro do STF Gilmar Mendes, provavelmente pedirá a invalidação desse processo. Se isso ocorrer, é pra duvidar se realmente Janot cometeu um deslize ou provocou um fato para isentar Temer e Aécio e sair para se manter em alta no ramo privado da justiça.

 

GLOBO DESTACOU PALOCCI E NÃO OS 51 MILHÕES DO GEDEL:

O depoimento de Palocci e a acusação de Janot também foram uteis para tentativa de desviar a opinião pública da maior apreensão de notas de dinheiro da história do país, de origem ilegal, encontradas em um apartamento vazio e pertencentes a um dos homens fortes de Temer, Geddel Ribeiro. 
Foram mais de R$ 51 milhões que Gedel guardava em malas para supostamente comprar apoio de políticos da base de Temer ou servir de caixa 2 para campanhas do PMDB e aliados, como o prefeito ACM Neto de Salvador. O JN deu mais de 50 minutos sobre a acusação de Janot e depoimento de Palocci contra Lula e menos de cinco minutos sobre a montanha de dinheiro ilícito. E o jornal O Globo fez uma edição criminosa de primeira página para induzir o leitor a acreditar que as malas de dinheiros tinham ligação com o ex-presidente e o PT.

Pelo tratamento ofertado a Gedel pela Justiça Federal – apesar de já estar em prisão domiciliar pelo recebimento de propina por parte de empresários em troca de facilitação ou liberação de créditos da Caixa Econômica Federal, continuava operando corrupção como mostra as malas de dinheiro, e nem andava com tornozeleira eletrônica que deveria usar – o homem forte de Temer, que foi pra cadeia novamente, poderá ficar tranquilo. Como já acontece com Cunha, que recebe alta “mesada” e ainda teve a mulher absolvida da acusação evidente de usar o dinheiro da corrupção do marido e sua filha conseguiu liberar o passaporte para continuar gastando lá fora. Tudo isso, sob as ordens de Moro.

 

A DELAÇÃO DE FUNARO:

Os ataques de Moro, de Janot, acobertados pela imprensa tradicional também serviram para diminuir os impactos da delação do doleiro Lucio Bolonha Funaro, que está preso há quase um ano, e que negociou pagamento de propina para Temer e integrantes do PMDB por mais de 10 anos. Funaro disse que o golpista recebeu 20 milhões da Gol, e outros milhões da JBS e Bertin. Citou ainda que Gedel e Moreira Franco também receberam dinheiro de corrupção, assim como Henrique Alves e o presidente do Senado, Eunício de Oliveira.

Em seu relato à Procuradoria-Geral da República, ele revelou uma conta de Eduardo Cunha que, até agora, não tinha sido mencionada na Lava-Jato, que entre 2003 e 2006, recebeu remessas para o Banco Northern Trust Bank, em Nova York. Batizada de “Glorieta LLP”, a conta de Cunha está em nome de uma offshore da Oceania. Funaro disse ainda que Cunha tinha uma bancada de 25 deputados mantida com dinheiro de propina e que o deputado preso também pediu dinheiro para comprar votos para o impeachment de Dilma, o que foi feito.

PIRATAS DO APOCALIPSE:

os ataques sem provas e baseados apenas em depoimentos de réus presos há mais de um ano e já condenados e sabedores do interesse de Moro em “pegar Lula de qualquer jeito”, representaram uma cortina de fumaça para encobrir negociatas, corrupção e a promiscuidade em que se transformou as instituições que deveriam zelar pela Constituição, pelo Estado Democrático de Direito e pela melhoria da vida dos brasileiros. O golpe transformou o país em um bordel, bem representado pelas quatro horas de gravações de Joesley Batista e Saud. É muita coisa para deixar o povo desanimado e com aquela noção do diálogo entre o Alferes Tiradentes e o poeta inconfidente: sentimento de culpa, de que aqui todos são corruptos, de que este País não tem jeito e seu futuro é a subordinação a interesses outros que não os nacionais.

Evidente que Lula, Dilma e o PT precisam esclarecer o povo de que as acusações contra eles não têm fundamento na realidade. Mas, cabe aos partidos e organizações da Esquerda, às forças progressistas, empresários decentes, profissionais liberais sérios e suas entidades, aos líderes religiosos sérios e aos movimentos sociais se unirem urgentemente, para banir essa verdadeira quadrilha que está acabando com o Brasil e suas perspectivas de futuro e apresentarem propostas para saídas da crise institucional e econômica. Continuar exigindo saídas por dentro da Democracia, com eleições diretas já, para o povo e mais ninguém recolocar o Brasil nos trilhos novamente. Não há País que resista a tanto saques desses piratas do apocalipse. Não podemos nos resignar com apresentações distorcidas dos fatos e que a culpa recaia sobre aqueles que ousaram sonhar com uma Nação livre e soberana!

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Perseguição inaceitável
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