Menos de dois meses após o Ministro do Golpe da Saúde, Ricardo Barros ter anunciado com o apoio e sem qualquer questionamento por parte da grande mídia, o fim do surto da febre amarela no Brasil, eis que nos últimos dias, ao contrário do que apregoou aos ventos o ministro, tem intensificado o número de notícias sobre volta de um novo surto da doença, que é grave e pode levar a morte, principalmente no interior e na capital em SP. O ministro que é deputado federal teve sua campanha financiada por um empresário os ramo dos planos de saúde privados.

As novas ocorrências em SP demonstram que houve precipitação do ministro em divulgar um fato que não ocorreu. Ou então não há interesse em divulgar que a doença realmente tem um potencial enorme em se transformar em epidemia urbana, como diversos especialistas vêm alertando, com consequências piores do que a da dengue, uma vez que a possibilidade de mortalidade em humanos é maior. Por isso, é fundamental que as esferas federal, estadual e municipal venham a publico para tratar a situação com transparência e com planos de prevenção, além da vacina, e de estrutura de atendimento aos que contraíram a doença.

Durante a ditadura militar, os jornais e os especialistas foram proibidos de divulgar e, portanto de prevenir, sobre a epidemia de meningite que ocorreu no país e principalmente na capital paulista. Os mais velhos lembram muito bem dessa tragédia. Foram mais de quatro anos sem que a população pudesse dar conta do que estava ocorrendo, o que fez com que o número de mortes aumentasse substancialmente. Esse tipo de postura não é mais admissível e representa um crime contra a população brasileira.

Ontem subiu para 15 os parques urbanos fechados, principalmente na Zona Norte da capital, por causa da febre amarela, onde foram encontrados vários macacos mortos. Os animais são principais hospedeiros do vírus, mas não transmitem a febre amarela em seres humanos. Porém, a morte deles é o principal alerta para transmissão da doença em humanos. Isso se dá somente através da picada de mosquitos Haemagogus e Sabethes, nas área rurais, e nas áreas urbanas pelo conhecido Aedes aegypti, que também transmite dengue, Zika e Chikungunha.

No Brasil não há casos de febre amarela urbana desde 1942, para evitar que isso aconteça o país vem tomando medidas preventivas como a vacinação que está ocorrendo na Zona Norte de SP e em várias cidades no interior do estado. Porém, o que mais preocupa segundo especialistas é que os surtos da doença em animais, conhecidos como epizootias, estão se tornando mais curtos. Os últimos aconteceram em 2008 e retornou no final de 2016 até agosto de 2017 principalmente nos estados do RJ, ES e MG. E agora em outubro ocorreram novos casos no interior e nos parques da zona norte da capital.

Além disso, os números de pessoas que contraíram e morreram vêm aumentando surto após surto. O de 2017 resultou em 777 casos e 261 óbitos, nove vezes maior do que o registrado em 2000 – que com 85 casos era, até então, o maior da série histórica, iniciada em 1980 – e quase 17 vezes o contabilizado em 2008, quando foram confirmados apenas 46 casos. Por isso, é fundamental campanhas públicas para prevenção contra a doença e atendimento aos que contraíram a febre amarela, principalmente agora que o Verão se aproxima!

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