Em 2003, quando assumi a função pública de deputado estadual, levei comigo uma reivindicação de jovens da periferia das cidades, com quem tinha contato e visitei na campanha eleitoral: lutar para instituir cotas nas vagas das universidades públicas paulistas (USP, Unesp e Unicamp) para alunos oriundos das escolas públicas, negros e indígenas.

 

Assim, protocolei um Projeto de Lei em 2003 instituindo um percentual para alunos negros e indígenas. No ano seguinte, deparei-me que outros deputados como o Vicente Cândido e o Tiãozinho, ambos também do PT, com proposituras semelhantes. Conversamos e resolvemos unificar nossos PLs em um só, baseado na política que o governo Lula tinha aprovado para as universidades federais: metade das vagas para alunos oriundos das escolas públicas e dentro desse percentual, 30% para alunos afrodescendentes e indígenas.

 

Além da reivindicação dessa parcela da população para que se fizesse justiça social, eu tinha dados – uma pesquisa da Unicamp com alunos que estudaram em escolas públicas; além da convicção de que alunos contemplados com as cotas têm, na maioria das vezes, um desempenho acadêmico melhor que os vindos das escolas particulares. Óbvio: eles têm que se virar mais na vida para resolver problemas e superar as dificuldades impostas por sua situação pessoal. Além disso, tenho comigo a ideia de que a pesquisa acadêmica ganha uma diversificação maior, já que os alunos negros e pobres podem levar novos temas para seus estudos e projetos de pesquisa, democratizando não só o acesso, mas a própria produção acadêmica. O que seria um ganho para toda a sociedade.

 

Fico feliz que finalmente a USP, através de seu Conselho Universitário, tenha se convencido de nossos argumentos e adotado nossas ideias. Esse foi um caminho longo. Eu me lembro de todas as audiências que fizemos na Alesp, com reitores das universidades. Quando expunham as “dificuldades” internas, para vencer a elitização das mesmas. Mas, como diz o ditado popular: “Água mole em pedra dura, tanto bate até que fura!”. A luta do povo da periferia, dos negros e indígenas e daqueles que se somaram às suas causas foi vitoriosa. Parabéns à USP! Parabéns a todos!

 

Conselho da USP aprova cotas sociais e raciais para vestibular de 2018 http://folha.com/no1898485 Via Folha de S.Paulo

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